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(Lourdes Ribeiro) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com


    
Arroio-grandense, morando de Bagé/RS, escritora autodidata que produz textos com ênfase para as reflexões da vida. Lourdes, através de seus textos, procura sempre deixar ao leitor uma mensagem de otimismo e crescimento interior.

 

Maria de Lourdes Coelho Ribeiro

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Encontros e Reencontros

CURIOSIDADE E VAZIO

          A maioria dos jovens experimenta a droga por curiosidade, para ser reconhecido dentro do seu grupo ou apenas por um grande vazio, solidão e medo. Quanto mais cedo fizer uso da droga mais chance terá de se tornar um dependente químico.

          Conhecemos várias histórias tristes que tiveram um final infeliz, mas vou falar de uma. De um jovem muito rico, de uma família tradicional. Muito cedo começou a usar drogas e daquele momento em diante a sua vida se tornou um inferno. Antes quero falar um pouco de como era a sua vida antes do uso das drogas. Foi criado com tudo e não havia limites para nada, à família era permissiva e não lhe negava nada, em termos de coisas materiais, não afetivas.

          Com o uso das drogas começou com problemas na escola, o que praticamente sempre acontece. Depois começou a ter problemas na sociedade em si. Uma noite completamente drogado atropelou uma pessoa que veio a óbito. Respondeu processo e foi condenado. Cumpriu pena. Entrou e saiu várias vezes do presídio. Esteve internado muitas vezes também. Casou-se com uma moça muito rica, mas o casamento foi um fracasso, para não dizer uma vergonha para a família. Numa ocasião a família recebeu visitas do exterior e ele, completamente drogado, subiu nas mesas e foi um escândalo muito grande.

          Foi uma sucessão de fracassos, e sua vida foi se definhando. Hoje ele é portador do vírus HIV e está em nada, tanto física como psicologicamente.

          É esta vida que queremos para nós? Queremos a vida ou a morte(o inferno)? É muito séria a questão de “experimentar” a droga, isto pode ir para um caminho muito triste, pois daí a algum tempo a situação passa a ser incontrolável. O problema é que hoje pode ser apenas experimentar, curiosidade, mas é um risco muito grande de se tornar um dependente.


(Parque Guilhermino Dutra) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Fim de Tarde no Parque Guilhermino Dutra

          Procure se ocupar com coisas boas, como a prática de esportes. Procure um bom exemplo para você seguir. A melhor coisa é nos espelharmos em bons exemplos, sejam os pais ou outro familiar, um professor... Alguém que vocês admirem e que gostariam de ser como eles. Não importa que toda a sua turma use drogas, que vocês pertençam ao grupo dos iguais. Mas você é responsável pela sua própria vida. Tem que escolher o melhor sempre, fazer escolhas que levem para uma vida legal.

          A droga não vai aliviar a sua dor, medo, insegurança, nem as frustrações. Ela pode preencher este vazio momentaneamente, depois passa o efeito e a sua dor volta mais intensa, e você volta para a droga, querendo, cada vez mais, drogas pesadas. Quando estão nas drogas injetáveis, num momento crítico, pegam a seringa contaminada de outra pessoa e aí se contaminam com vírus HIV, hepatite...

          Não experimente a droga, experimente a vida. Você é importante para muitas pessoas. Se ame muito e queira uma vida legal e com um futuro brilhante pela frente. A droga só leva para o fundo do poço e traz outras coisas muito tristes.

          Quando pensar em drogas, pense na história deste rapaz, que tinha tudo para ter um futuro maravilhoso, e hoje está em nada. A droga não resolveu o que ele estava sentindo, só trouxe coisas muito piores. 
O alívio da dor e do medo está dentro de você. Você pode e consegue, acredite.

***

DEPRESSÃO II

          É cada vez maior o número de pessoas com depressão. E tenho observado o quanto essa doença tem atingido os homens. Eles têm mais dificuldade em identificar a doença, aceitar e procurar ajuda. Acabam pedindo socorro quando já estão quase no fundo do poço, quando, muitas vezes, já nem conseguem mais trabalhar.

          Quando chegam neste nível já é um caso mais grave. Apesar de iniciarem o tratamento, esse é um momento bastante complicado, pois a doença já afetou quase toda a vida da pessoa. Geralmente estão muito ansiosos, com problemas de sono, dificuldades de se relacionar, isolamento, tristeza, apatia, entre outros sintomas. Realmente estão sem nenhuma qualidade de vida, com a auto-estima muito baixa.

          Mesmo com o tratamento, o apoio e cuidado da família são fundamentais. Ás vezes a família ou as pessoas mais próximas não tem entendimento e acabam cobrando uma melhora, uma mudança de atitude e comportamento.

          Mas infelizmente as coisas não funcionam desse modo, esta pessoa não está assim por vontade própria. Claro que a força de vontade é muito importante, mas para recuperação será necessário um somatório de coisas. E para os homens realmente me parece mais difícil até porque para os que são casados, tem companheira ou namorada, é como se achassem que elas estão do seu lado por pena, compaixão. Não conseguem nem mesmo ver que estar do lado significa carinho, amor e companheirismo.

          É a mesma coisa que o marido perder o braço, mão ou perna, e achar que por isso será abandonado. Quando estamos juntos não é por uma parte do corpo, é pela pessoa, não é só na saúde, mas em todos os momentos. Mas a sua auto-estima está tão baixa que nem se acham merecedores de todo este cuidado e bem querer. Este período deve ser de luta pela recuperação e, mais do que isso, para fortalecer laços afetivos.

          Sabe-se que não é fácil a convivência com uma pessoa depressiva, há momentos que só falam e só vêem coisas negativas, supervalorizando estas, e muitas vezes se tornando até repetitivos. Não conseguem ver nada de bom, mas esta é umas das características da pessoa que está com esta doença. A pessoa depressiva vê tudo negro à sua frente e por isso tem dificuldade de lutar por coisas melhores ou, pelo menos, tentar manter o que tem de bom, pois nesse momento é assim que vê a vida.

          É muito importante a parte medicamentosa, mas também se possível, o acompanhamento de psicólogo ou psiquiatra. Tratando as causas estará evitando que a doença volte e possibilitando uma cura total. Muitas pessoas acabam tendo depressão por não saberem lidar com a falta de emprego, falta de dinheiro, perdas, separações e até mesmo por não saber lidar com seus próprios sentimentos. Existem coisas na vida da gente que não podemos mudar, mas, com um bom acompanhamento, podemos aprender a conviver com elas sem sofrimento, sem dor, sem cobranças e sem culpa. Ás vezes as pessoas confundem depressão com estresse.

          A tristeza faz parte da vida, mas quando acontece durante um longo período torna-se depressão. Muitas vezes a pessoa quase perde a razão de viver. Os pensamentos se tornam confusos e, muitas vezes, não consegue nem mesmo ficar sozinha, pois não tem mais controle sobre eles. Nunca podemos esquecer que depressão não é fraqueza, não é motivo de vergonha. É uma doença como outra qualquer e que deve ser levada a sério, com acompanhamento médico. A pessoa não pode e nem deve se sentir culpada por isso. Culpa a gente tem quando pode fazer uma coisa e não faz.

          É importante fazer caminhadas, estar com pessoas que entendam esse momento e tenham assuntos positivos e mais alegres. Sempre deve haver muita paciência da família e do paciente consigo mesmo. A cura não acontece de um dia para outro, sendo que no meio do caminho pode acontecer alguma recaída.

          O acompanhamento médico é importante para que as mudanças internas aconteçam. Assim poderá reordenar seus pensamentos, seu modo de vida, e com isso garantir um fortalecimento interno. Algumas pessoas acham que apenas mudando o cenário e os figurantes é suficiente. Infelizmente não. Pois muda o cenário, mas internamente tudo continua igual, toda a tristeza, insegurança, medos e dúvidas. Pois tudo acontece no seu interior e, por isso, deve ser o primeiro lugar a ser mexido. Com isso elas poderão ver a sua própria vida com outros olhos, com uma nova perspectiva e, até mesmo, se valorizando mais como pessoa.

          Sei que nada disso é fácil, mas queria encerrar deixando uma mensagem para quem está deprimido: Não se culpe por este momento, que pode acontecer com qualquer pessoa. Muito menos sinta vergonha, isso não é fraqueza. Ficar doente não tem este significado.

          Quem realmente está do seu lado é por amor, carinho, companheirismo e cumplicidade. Aproveite este momento para estreitar seus laços afetivos e sair dessa situação mais fortalecido.

Estes textos fazem parte do livro Encontros e Reencontros, lançado no ano de 2005.
 

Serviço


          Os livros de Maria de Lourdes Coelho Ribeiro podem ser encontrados em Arroio Grande, na Gia Magazine; em Pelotas, na Vanguarda Livraria, em Rio Grande, na Livraria da FURG e em Bagé na loja Além da Imaginação.

(Centro de Cultura Basílio Conceição) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Centro de Cultura Basílio Conceição
 

Outros Textos


9. PRISÕES     8. FRAGILIDADE     7. CHIQUE É SER SOLIDÁRIO     6. SOLIDÃO     5. ACREDITAR SEMPRE

4. DIA DO ESCRITOR
     3. ARROIO GRANDE     2. MUDANÇAS     1. PERMITAM-ME UMA RÁPIDA APRESENTAÇÃO...


PRISÕES

          Quando pensamos em prisão, a primeira coisa que nos vem à mente é o presídio propriamente dito. Mas a palavra prisão pelo dicionário significa ato ou efeito de prender, capturar, cadeia, recinto fechado, vínculo.

          No último dia que trabalhei no presídio com as detentas, colocava para elas, que existe muita gente fora de lá mas que estão presas também.

          Elas me observaram com um olhar de espanto.

          Não é fácil fazer um trabalho de auto-ajuda e levantar a auto-estima de uma pessoa que está ou ficará muitos anos dentro de um presídio. Mas acredito que seja possível, tanto é que estou lá. Elas sabem que um dia terão a liberdade. Existem pessoas que estão presas de outra forma, que não sabem quando e se conseguirão se libertar.

          Mulheres que estão presas a relações doentes e vivem sendo espancadas diariamente, onde não têm, nem mesmo, o direito de sair fora da porta de casa. Soube de um caso que ela não podia ir nem mesmo ao dentista. Sentimos toda a sua dor só de ouvi-las contar, coisas que, muitas vezes, achamos que não podem existir, mas que fazem parte do nosso momento atual, infelizmente. Esta mulher não tem o direito de nada, ficam ali por medo, acomodação, presas a esta doença durante anos. Ao invés de terem coragem para se libertar, quando não, acabam perdendo a cabeça e cometendo coisas graves, e, com isso, saem de uma prisão e entram para outra (cela).

          Dentro desta questão de relacionamentos não estão apenas as mulheres que são espancadas, mas aquelas que vivem com medo dos seus companheiros, que sempre vencem e tem o poder através do grito, e elas estão ali presas e paralisadas, não conseguem se libertar. Pessoas que vivem presas a preconceitos que, na realidade, são pré-conceitos. E isto faz com que elas deixem de viver.

          São tantas as coisas que podem prender, sufocar e aniquilar uma pessoa, e que não, necessariamente, seja o presídio... Tentei lembrar isso as detentas, pois não nos damos conta deste outro lado e que, também, é tão sério, como se a prisão fosse só de quem está lá dentro.

          Não que isto possa diminuir a sua dor, ou a própria discriminação. E as que estão presas aqui fora o que cometeram para estar levando uma vida dessas? Mas não são só vocês, estas outras mulheres e muitas outras estão presas a coisas muito sérias e doentes e não conseguem se libertar, sendo que muitas passam a vida assim, pois não conhecem outra forma de viver, não tiveram nenhuma outra possibilidade.

          A vida nos dá vários caminhos, mas a escolha é nossa, se errarmos teremos que pagar, muitas vezes, um preço muito alto. Seja qual for à forma de prisão em que você vive, tente pensar que um dia isto ficará para trás. Não estou dizendo que seja fácil. Mas é melhor colocar esperança e bons pensamentos, pois com eles você terá chances de que o amanhã seja bem melhor. Todo o sentimento ruim traz mais coisas ruins. E se não tivermos esperança para o amanhã, não teremos nada, nem forças para seguir adiante.

Este texto faz parte do livro Encontros e Reencontros, lançado no ano de 2005.
 

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FRAGILIDADE

          Já ouvi muitas criticas ao me trabalho voluntário no presídio, bem como à fundação da ONG. Ainda bem que são poucas as pessoas que têm este pensamento, de que os detentos apenas devem cumprir pena. As pessoas que criticam se acham diferentes, como se vivessem em outro mundo, talvez imune a coisas ruins e também a fatalidades. Como se na sua família nunca fosse acontecer nada disso.

          Nesse período em que faço trabalho no presídio, esta semana foi à segunda vez que entro na galeria feminina e encontro uma pessoa bem conhecida e até amiga que acabou de ser presa. A gente sempre leva um susto e não tem como descrever a sensação.

          Especificamente estas pessoas não são de má índole ou delinqüentes, mas por uma fatalidade praticaram um ato que dentro da lei é considerado ilícito. Independente disso, não é a melhor experiência para ninguém.

          Isso só mostra como nós, seres humanos, somos frágeis a tantas coisas, como medo, insegurança, dúvida e até mesmo a cometer infração e, por isso parar dentro de um presídio.

          Quantas pessoas que conhecemos foram presas por não pagarem a pensão alimentícia? Não temos como prever o futuro, ou até mesmo uma fatalidade. Isso mostra o quanto não somos mais ou melhores do que ninguém. Não podemos generalizar e, por isso, deixar de propiciar que pessoas que estão lá dentro e querem melhorar, tenham a oportunidade de fazer um curso e até mesmo trabalhar. Com isso terão mais chance e oportunidade quando saírem do presídio, bem como ocuparem o seu tempo lá dentro com coisas positivas.

          As fatalidades podem acontecer com qualquer pessoa, independente de termos uma família estruturada, equilibrada, termos estudo e grana. Dentro do presídio existem muitas pessoas que têm recuperação, não são todos criminosos.

          Por isso falo sempre que aquele deve ser um lugar de cumprir pena, privados de liberdade, mas nunca de dignidade.



Este texto faz parte do livro Encontros e Reencontros, lançado no ano de 2005.

                                                                                             Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Lourdes ao lado da Profª Ilá Rodrigues Freitas e ao lado da amiga e também escritora, Maria de Lourdes Poetsch.

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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com Noeli Ferreira e as amigas
Odete Araujo Machado, Maria Helena Ribeiro Cardoso e Regina Helena, em Arroio Grande, na Feira do Livro.
 

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CHIQUE É SER SOLIDÁRIO

          Há algum tempo atrás ouvi uma entrevista da modelo Gisele Bündchen, que ela encerrou dizendo "... chique é ser solidário ...". Passei a gostar mais dela nesse momento, pois acredito, mais do que nunca, que a solidariedade cada vez mais se faz necessária, não apenas nas palavras, pois esse é um assunto muito falado no momento, mas em atitudes e ações.

          O momento atual é de muita violência, corrupção e crise financeira desmedida, precisamos de atitudes mais concretas e positivas. Todos enfrentamos dificuldades, mas, em meio de tudo isso, é possível estender a mão para quem está próximo.

          Acho que estamos precisando muito disso, nem sempre são coisas materiais que o outro precisa, mas ser ouvido, respeitado, acarinhado... Uma visita, um abraço... São muitas as necessidades, fora as materiais.

          Acho que o conceito de chique graças a Deus mudou, não é mais usar uma roupa da moda, carro último modelo e estar na mídia. Quem tem o privilégio de ter todas essas coisas materiais que consiga, ainda, ter um interior bonito, com muita sensibilidade. Que esteja na mídia, também, por ações bonitas, efetivas e solidárias.

          Precisamos muito, nesse momento, nos voltarmos mais para espiritualidade e assim poderemos nos encontrar e encontrar o outro. Com isso mudará o nosso olhar em relação às outras pessoas.

          Cada dia mais a concorrência, o egoísmo estão presentes. Muita gente se queixa, e com razão, que dentro de muitas empresas o que existe é o egoísmo, não mais o coleguismo e a amizade. Há pessoas que só agem visando os seus próprios interesses, não importando por cima de quem terão de passar.

          No entanto, aqueles que têm competência, qualidades pessoais e profissionais e uma postura digna sempre terão o seu espaço na sociedade e conseguirão vencer. Pode demorar um pouco, mas se acreditarem e lutarem por isso, com certeza vencerão. Jamais podemos deixar de acreditar nisso, por mais negativa que pareça uma situação ou um lugar.

          Egoísmo e muitas outras coisas negativas estão fora de moda. Esse é um momento de atitudes positivas e solidárias, sem avaliarmos a história daquele para quem estamos estendendo a mão, sem fazer julgamentos e sem esperar nada em troca. As coisas vão e vem. Se precisarmos algum dia, seremos ajudados, mas, raramente, por aquela pessoa para quem estendemos a mão.

          Precisamos nos contaminar com bons exemplos, com coisas boas e atitudes das quais possamos nos orgulhar. Que consigamos, cada vez, ser chiques, não pelo que vestimos, pelos lugares que freqüentamos, pelo carro que temos, mas por uma postura digna, pela boa educação, delicadeza, respeito pelo outro, e por atitudes solidárias. E assim teremos uma trajetória de vida mais bonita, iluminada e prazerosa.



Este texto faze parte do livro Encontros e Reencontros, lançado no ano de 2005.

                                                                                            Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com Leda Conceição Machado, Regina Helena Marzullo e Flávia Conceição Correia, no do lançamento do livro Encontros e Reencontros, em Arroio Grande, na Feira do Livro.
 

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SOLIDÃO

          Várias vezes já ouvi pessoas dizerem que a solidão é horrível. Graças a Deus não sei o que seja solidão. E isso é uma coisa muito relativa. Tem gente que mora sozinha e não tem problema de solidão, outras em compensação, moram com várias pessoas e vivem uma grande solidão. Isso é uma coisa interna, da gente. Você vive só por opção ou por circunstâncias da vida. Seja como for deve ser uma coisa legal.

          Tem o seu lado bom tanto quanto viver com alguém. Você pode ter atividades, lazer e tempo pra si mesmo. Se você não consegue viver sozinho, será mais difícil viver com alguém. Se não soubermos encarar os nossos próprios medos, nos conhecermos. Você pode estar com alguém, mas não haver diálogo, companheirismo, afinidade e você se sentir completamente só, isto vai ser o sentimento de solidão. E você pode morar sozinha e ter amigos, um namorado, etc...

          Se você sente solidão tente reverter isso, sentir-se útil, importante para alguém, se você não tem família, tem muita gente que precisa de alguém que ajude, existem várias instituições nessa situação. Preencha seu tempo com alguma coisa boa. Não dê espaço para sua mente pensar bobagem, para tristezas. Tenho certeza que você encontrará algo que lhe faça bem e mais ainda aos outros, e no meio disso até novas amizades você fará. E estará sendo importante para alguém.

          Procure sempre ocupar sua mente com coisas saudáveis. Assim não haverá espaço para tristezas, melancolia, depressão e muito menos solidão. Enquanto isso poderá até surgir alguém legal para que você divida a sua vida e até mesmo essas coisas boas que você tem feito. Mas alguém que valha a pena, pois tem gente que vive com alguém e além de sofrer de solidão, vive mal e é infeliz.

          Procure resolver esse sentimento de solidão primeiro com você mesmo, aí está o ponto. Se estivermos ocupados e com coisas boas, nem vamos lembrar o que seja solidão. Você pode ser útil e muito importante para alguém, tenho certeza disso.



Este texto faz parte do livro Vida, Amor e Paixão, lançado no ano de 2002.

Fotos do lançamento do primeiro livro, Vida, Amor e Paixão, no dia 03 de agosto de 2002, no Centro de Cultura Basílio Conceição.

                                                                                             Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro

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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com Noeli e Dr. Paulo Ferreira (foto 1);
Ivan Gonçalves (foto 1) e Paulo Enio Caetano (foto 3).
 

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ACREDITAR SEMPRE

          Na semana passada ouvi de uma pessoa amiga, que prefiro chamar de "Joana" , a seguinte frase: "não agüento mais, estou no meu limite, é problema atrás do outro, a minha vida não melhora nunca". Hoje escrevo para essa "Joana" , e para todas que se encontram assim.

          Essa fase que você está passando acontece para todo mundo, são fases mesmo. Mas a vida não é feita só de momentos difíceis, acontece que esses parece que são mais longos, que demoram mais para passar. Mas podes ter certeza, vai passar.

          Há um tempo atrás, desabou na minha cabeça tudo que poderia ter de problemas. Pensei que não ia resistir, acordava no meio da noite e sempre achava que tinha sido um sonho, que tudo aquilo não podia ser verdade. No início a vontade que a gente tem é de nem levantar da cama. Mas eu também pensava que se eu não reagisse nada iria mudar, ou melhor só iria ficar cada vez pior.

          Estabeleci prioridades, pois não tinha condições de resolver tudo de imediato e ao mesmo tempo. Só que tudo ia demorar meses. Hoje, noventa e nove por cento está resolvido, faltam apenas alguns detalhes. Tive que ser muito forte. Como em outras fases da minha vida, que a gente pensa que não vai suportar. Mas somos mais fortes do que imaginamos, e "Deus só nos dá o frio de acordo com o nosso cobertor". Assim como as coisas melhoraram e ficou tudo bem para mim, será assim para você também. Pois assim é a vida...

          Mas procure sempre tentar resolver seus problemas, mesmo que os resultados não sejam imediatos. Se não nos ajudarmos, ninguém poderá fazer por nós. E tente dentro do possível dizer que está tudo bem. Tem gente que está sempre se arrastando, dizendo: "que vai levando", "que está mais ou menos". São péssimas afirmações. Com certeza dizendo isso vai ser bem mais difícil das coisas melhorarem para você. Faça um esforço e acorde com um mínimo que seja de entusiasmo, só assim você terá mais força para lutar e encontrar uma solução para tudo. Nunca empurre seus problemas com a barriga, encare eles de frente e resolva, se não as coisas vão virando uma bola de neve, um "monstrinho" maior do que é.

          Acredite sempre, existe uma solução, você vai conseguir...

Este texto faz parte do livro Vida, Amor e Paixão, lançado no ano de 2002.

Fotos do lançamento do primeiro livro, Vida, Amor e Paixão, no dia 03 de agosto de 2002, no Centro de Cultura Basílio Conceição.

                                                                                             Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com os familiares Maria Helena Ribeiro Cardozo, Élida Siqueira Ribeiro,
Carmem Lúcia, Roberta Maciel, Ana Maria Ribeiro Machado  e Lacy dos Santos Ribeiro (fotos 1 e 2 e 3).

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DIA DO ESCRITOR

          Dia 25 de julho é o dia do escritor. Por isso quero falar um pouco sobre o papel dessa pessoa que tem o dom de se expressar através da palavra escrita.

          Há poucas semanas li uma matéria sobre escritores a qual dizia que muitos estão utilizando as suas dores para escrever livros.

          Acho que nem sempre utilizamos as nossas próprias dores, muitas e muitas vezes utilizamos as histórias e dores de outras pessoas, porque as histórias e as dores se repetem, fazendo com que o leitor se identifique com o que está lendo. Claro que sempre colocamos um pouquinho da nossa experiência, não tem como fugir totalmente disso, mas, muitas vezes, por já termos vivenciado, podemos mostrar que é possível superar dores e angústias.

          Assim como faz o querido Manuel Carlos levando histórias da vida real para as novelas, assim, também, acontece com filmes e livros. Mas não basta apenas levar as histórias da vida real para o papel ou para a tela, mas é preciso conseguir passar junto emoção e todo tipo de sentimento.

          Para alguns escritores pode ser um desabafo, faz bem para a sua alma escrever. Talvez porque muito do que ele escreva seja através da inspiração. Quem entende o que seja inspiração pode entender melhor o porque desse bem estar, da sensação de estar cumprindo a sua missão e, mais do que isso, de estar renovando as suas energias. Seja através dos livros, das novelas e do cinema, o papel do escritor é muito importante, pois sempre deverá passar uma mensagem legal. Mostrar a realidade com todas coisas feias e negativas, mas nunca deixando de fortalecer coisas boas e positivas, para que o leitor ou telespectador acredite sempre em alguns valores positivos e que a vida não é feita apenas de atitudes e pessoas ruins e negativas.

          Pode-se sempre mostrar a realidade com todos os seus aspectos, sem máscaras e com muita transparência, pois seja qual for à forma de arte, ela deve fazer a outra pessoa pensar, refletir e, no final, sentir alguma coisa boa.
Essas pessoas que têm este dom têm o privilégio de poder, através da palavra, cumprir a sua missão e fazer algo de bom por outras pessoas, da maneira mais simples, mas que têm uma importância muito grande, pois podem influenciar na formação de idéias e atitudes.

          Para encerrar só posso desejar a cada escritor muita inspiração, para que possa deixar um rastro de energia positiva, luz e esperanças no final de qualquer história. Parabéns a todos pelo seu dia!

                  Foto: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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A escritora ao lado da tela que ilustrou a capa
de seu primeiro livro: Vida, Amor e Paixão.
 

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ARROIO GRANDE

          Cidade onde eu nasci. Apesar de estar aqui em Pelotas há 30 anos e do pouco que tenho ido lá nos últimos anos, ainda mantenho um vínculo forte com esta cidade. Lá estão as minhas raízes, as minhas histórias. Quando vim para Pelotas mal sabia falar, mas muito cedo já viajava para lá. Os meus fins de semana, as férias eram sempre lá.

          Tenho as melhores lembranças. Os meus primeiros bailes foram os de carnaval no Clube do Comércio, eram maravilhosos. Tradicionalmente na última noite, depois que terminava o baile percorria-se as principais ruas acompanhando a rainha até a porta de sua casa. Os baile de CTG nos Tropeiros da Querência, bem como os bailes do Arroz que eram realizados no próprio CTG.

          Quando nos reuníamos para o mate nos fins de tarde na Praça Maneca Maciel, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora das Graças onde fui batizada.

          Um lugar muito calmo e tranqüilo, onde a maior distração era o jogo de cartas, muitas vezes na beira do fogão a lenha, nos dias frio de inverno. Coisas que jamais irei esquecer, como a “Voz dos Pampas” onde o locutor tinha o alcunha de ‘Ganso”, a “Voz do Ganso”. Era um auto-falante próximo do centro, onde se ouvia todas as notícias.

          Não tinha muito o que se fazer quando não havia uma festa, mas mesmo assim gostava muito dela. O nossos churrasco e passeios a cavalo no sítio da Carmem Lúcia e Lauro Maciel, com a família reunida. As amizades antigas que ainda tenho lá, como a Leda Conceição e muitas outras.

          A minha vida mudou muito, quase não tenho tempo de ir lá, as vezes passo muito tempo, mas não esqueço a cidade, os vínculos que tenho lá e as melhores lembranças. Tudo isso faz parte da minha história, da minha vida. Ontem estive lá e tudo isso fica muito vivo no meu coração, é assim cada vez que volto à cidade. Essa é uma parte da minha história, da minha referência e alicerce...

Este texto faz parte do livro Vida, Amor e Paixão, lançado no ano de 2002.

          Fotos do lançamento do primeiro livro, Vida, Amor e Paixão, no dia 03 de agosto de 2002, no Centro de Cultura Basílio Conceição.

                                                                                             Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com
Leda Siedler da Conceição Machado (foto 1) e Regina Marzullo (foto 2).
 

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MUDANÇAS

          Elas não são fáceis, mas muitas vezes necessárias. Quando a situação não é legal para nós, temos é que mudar. Se não nos traz nada de positivo, de construtivo, com certeza tem que haver a mudança. Mas não adianta só o desejo, mas o comprometimento com a mudança. Tem que haver atitudes para que a mudança ocorra.

          Só pensar não muda nada, temos mesmo que agir. Nem todos talvez se alegrem com as nossas mudanças, mas temos que pensar em nós mesmos temos que tentar vivenciar o que for de melhor. Quem nos quer bem, com certeza quer a nossa felicidade e torce pelo nosso sucesso. Não temos que ficar pensando no que os outros irão achar. Só quem está na situação pode saber. Quem vive com a situação difícil é você. Quem não tiver a coragem de ousar e mudar não viverá coisas importantes e que lhe tragam alegria de viver.

          Não se conforme com coisas que não lhe façam bem. Só assim você terá chance de crescer como pessoa e de progredir. Temos que estar sempre em busca da felicidade e da realização. E muitas vezes para alcançá-los temos que mudar. Com o medo, acomodação e dúvida não iremos a lugar algum, jamais teremos a chance de viver momentos importantes. No momento em que mudamos começamos a ver as coisas com outros olhos. Ninguém pode fazer isso por nós. Do contrário, além de vivermos o que não é bom, será sempre a mesma monotonia dentro do que é ruim.

          Estou vivendo um momento assim, até dá um certo frio na barriga, mas também reconheço que é a minha chance de ir à luta em busca de algo melhor para mim. Junto com o frio na barriga existe a possibilidade de muitas coisas boas. Seu ficasse acomodada, com medo de fazer mudanças, ia deixar de viver muitas coisas importantes. E a vida é isso, temos que estar abertos para mudanças, para aprender sempre e viver da melhor maneira possível. Se não tentar como saber se dará certo? E acima de tudo, confiança que dará certo. Sempre tem algo melhor à nossa espera. Mas temos que estar abertos para essas coisas boas.

          Faça alguma coisa por você mesmo, mude, lute e tente ser feliz. Você merece.

Este texto faz parte do livro Vida, Amor e Paixão, lançado no ano de 2002.

          Fotos do lançamento do primeiro livro, Vida, Amor e Paixão, no dia 03 de agosto de 2002, no Centro de Cultura Basílio Conceição.

                                                                                             Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Maria de Lourdes Coelho Ribeiro com João Carlos e Cláudia Furtado (foto1) e
Maria Alcina Boneau e Vaniza Teixeira de Souza Lima (foto 2).
 

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PERMITAM-ME UMA RÁPIDA APRESENTAÇÃO...



          Chamo-me Maria de Lourdes Coelho Ribeiro, sou natural de Arroio Grande, filha de Walnir Pinto Ribeiro e da professora Therezinha Coelho Ribeiro, já falecidos. Residi em Pelotas durante muitos anos e atualmente moro em Bagé. Mas esta distância não me fez perder o contato com a minha cidade.

          Sou Auxiliar de Enfermagem, Multiplicadora na Prevenção de DST/AIDS pela UFPEL, Multiplicadora na Prevenção ao Uso de Drogas pelo CENPRE/FURG, Capacitação no curso “Atendendo Mulheres em Situação de Violência” e Capacitação para Dirigentes de Organizações Sociais.

          Comecei a escrever em abril de 2001. A partir daquele momento os meus textos foram publicados em jornais de Pelotas e eventualmente de Rio Grande. Não possuo nenhuma formação nesta área, por isso me considero uma escritora autodidata. Procuro escrever textos acessíveis, de leitura fácil e dentro das necessidades das pessoas, falando sempre de sentimentos, medos e vivências do cotidiano.

          Através da palavra escrita desejo fazer as pessoas refletirem sobre a vida, sobre alguns valores morais básicos, sobre família e afetividade.

          Lancei meu primeiro livro “Vida, Amor e Paixão” em 2002. Ele fala de AIDS, depressão, solidão, medo entre outros assuntos. Em 2003, lancei o segundo livro “Nunca é Tarde para Amar”, falando da violência contra a criança e o adolescente, prevenção ao uso de drogas, idosos e felicidade, entre outros assuntos.

          Direta ou indiretamente sempre me refiro a assuntos sobre a família. Meus livros foram lançados nas Feiras de Porto Alegre, Pelotas, Arroio Grande, São Lourenço e Cassino.

          Desde 2003 atuo como palestrante em escolas e empresas de Pelotas, Comunidade Católica do bairro Navegantes II, ONGs, FEARG/FECIS (2003 e 2004), escolas do município de Rio Grande, APAE de Canguçu, entre outros locais. As palestras evidenciam temas como drogas, violência e, principalmente, auto-ajuda, basicamente na mesma linha dos meus textos.

          Em 2004 comecei um trabalho voluntário com a galeria feminina do PRP – Presídio Regional de Pelotas, com o projeto “Valorização da Vida”, apresentado com sucesso no 5º Encontro Transdisciplinar de Ciência Penitenciária na UCPEL. No segundo semestre deste mesmo ano entrei para o grupo de estudos do GITEP – Grupo Interdisciplinar de Trabalho e Estudos Penitenciários e finalmente em 23 de novembro fundei a ONG VALORIZAÇÃO DA VIDA – Assistência às Detentas, sendo sua atual presidente.

          Em 2005 lancei meu terceiro livro, “Encontros e Reencontros”, com textos que fazem o leitor se reportar para um presídio, uma família desajustada, depressão, AIDS, violência contra a mulher entre outros assuntos.

          Atualmente estou às voltas com o preparo do meu quarto livro. Em todos os textos, procuro passar uma mensagem de reflexão, de amor, de luta e de encontro consigo mesmo. Através da palavra coloco a minha experiência com o trabalho voluntário dentro do PRP, que tem sido um grande aprendizado, com isso faço o leitor reavaliar sua vida, como pessoa dentro da sociedade e da família. Sempre buscando uma reflexão sobre a vida de um modo geral, crescimento espiritual e a construção de uma história de vida melhor.

          Apesar de ter ido para Pelotas ainda muito pequena nunca perdi o vínculo e o amor pela cidade de Arroio Grande.

                                                                                                                       Fotos: Arquivo Pessoal de Lourdes Ribeiro
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Capas dos livros publicados pela escritora
 

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