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A partir de uma
desgraça na fronteira sul
A
última revolução interna do Rio Grande do Sul descaía para a paz.
Sustentava-se apenas pela renitência de alguns líderes maragatos
exilados no Uruguai. Foi quando ocorreu a tragédia de Jaguarão – um
duplo homicídio que abalaria duas gerações daquela cidade, do Arroio
Grande e de toda a fronteira sul.
A narrativa de tal acontecimento real dispor-se-ia como prólogo
deste livro. Menciona com breve particularidade o cigarro de palha
manchado de sangue, caído da boca imprecativa de um médico
republicano, baleado, que tinha as divisas de tenente-coronel da
Guarda Nacional e cuja morte imediata livrou-o de ver, logo depois,
o filho também morrer. E aquele cigarro subsistiria oportunamente
como pormenor de candura, símbolo do despreparo para a morte.
Mas isto é da primeira história. A única que precede a existência
de Netinho, personagem da maioria dos demais trinta e um contos,
contos que se encadeiam cronologicamente – de sua infância à
maturidade - prestando-se para distinguir o que se chama de romance
de formação.
Veja-se trecho do prefácio do escritor Aldyr Garcia Schlee:
“É um livro em que um longo conto inicial –
narrado como se fora uma reportagem, tocado levemente pela magia da
ficção – define desde logo o restrito espaço temporal e espacial que
haverá de marcar os demais contos, seja em seus aspectos históricos
e geográficos, seja em seus componentes políticos e culturais.”
Serviço: 2007. Editora Ponto de Vista, Pelotas, RS
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