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Portal
Terra de Mauá | Divulgando
nossa cultura. Valorizando nossa gente!
| Arroio
Grande na internet. |
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Nossa Gente |

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Jornalista, escritor e comunicador
arroio-grandense, radicado em Porto Alegre, aproveita o espaço aqui
no Portal para falar da sua, da nossa terra. E convida o leitor:
faça o mesmo e valorize esta iniciativa. Todos vão gostar.
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André, estive
ausente, mas este final de ano inspirou-me a escrever. Recebas
com carinho. João Antonio.
ALMA INQUIETA |

Blog do João Garcia:
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Muitos perguntam-se o que fariam se de
repente ganhassem uma bolada na loteria,enfim. Fazem planos para o uso
deste dinheirão.Sabem quais são os meus planos? Gostaria de marcar minha
passagem neste plano deixando uma obra capaz de sempre que alguém a
visse falasse: Eis a marca do João Antônio, o Gordo do Jacinto. Um homem
de Bem. E como seria bom ver a felicidade estampada no rosto da minha
mulher, das minhas filhas,do meu neto ao ouvirem isso.
Não juntaria estas riquezas terrenas que
podem desaparecer. Construiria uma Indústria para fabricar o Cidadão do
Bem.
A sede seria no Arroio Grande e teria
filiais na Vila de Itapuã (Viamão), Pedro Osório, Cerrito ,Jaguarão
Pelotas, Herval e Rio Grande. Destinaria recursos para manter a obra da
Associação Emanuel em Porto Alegre. Teria como função á Educação e ao
Empreendedorismo.
Faríamos casas populares com centros
sociais de incentivo às atividades manuais. Ensinaríamos a fazer hortas
ecológicas de manutenção, oficinas profissionais para formar costureiras
customizadoras, culinaristas, bordadeiras, ceramistas, artesãos,
músicos, artistas e só receberiam ajuda os que cumprissem o regulamento
dos investimentos.
Nada de graça. A Fundação faria contatos
com outras pelo Mundo para “vender” esta arte.
Os estudantes universitários financiados
pela Fundação teriam como contrato de trabalho atender a população
pobre, na Medicina,Odontologia, Psicologia, Pedagogia, Nutrição,
Engenharia, enfim, devolveriam cada real investido neles sem prejuízo à
profissão.
O site conhece as minhas "viagens", porque
esta é a forma de dizer: Eu gostaria. Na minha profissão a vaidade é
parte intrínseca, alguns exageram. A minha é de ser reconhecido porque
escrevi sobre alguém que andava esquecido na memória popular, ou porque
participo de campanhas solidárias. Fico exibido, vaidoso e me faz bem.
Como não posso fazer a Fundação, vou
construindo aos poucos aqui e ali ajudando no que posso e procurando ir
além. Minha alma inquieta pode ser confundida como uma espécie de "alma
hiperativa", que seria o diagnóstico de hoje ao "marca diabo", que fui
na infância, com aquela cara gorda e debochada de péssimo desempenho
escolar e ótimos resultados na banda, no Grêmio Estudantil e razoáveis
no futebol.
Penso, no quanto a nossa terrinha precisa
de nós – os de fora. Esta alma
inquieta faz planos, sente saudades, lamento o tempo ter passado tão
rápido, de nos ter afastados dos amigos e amigas,daquela gente que a
gente não sabia tanto, mas que amávamos.
Ali, no som, boleros inesquecíveis me
trazem lembranças tão boas e de olhos fechados posso vê-los, todos e
todas que encantaram minha vida. Eu os vejo. E choro.
E Alma Inquieta viaja. Quem sabe noutra
Vida, noutra Lida possa ajudar mais.
João Garcia – O Gordo
do Jacinto. 30 de dezembro/2007 |
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O
abraço no "20 de Setembro" foi um sucesso!
No último dia 22 de setembro,
tivemos o
reencontro dos arroio-grandenses em homenagem à velha e
querida Escola 20 de Setembro. A festa teve show dos artistas da
terra, homenagens e apresentações artísticas. A professora Lelé Freitas, atual
diretora da escola, foi fundamental no apoio desta iniciativa.
Veja as fotos do evento, aqui no Portal Terra de Mauá, na seção
Galeria de Fotos. (Clique
Aqui)

André Floor, a
diretora Elenice Freitas, João Garcia e Cléber "Painé" |
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NO ANO DE CINQÜENTENÁRIO
O dia estava lindo, muito sol.
Preparava-me com os últimos retoques no tênis branco que tinha
"herdado" do meu primo Lino Antonio. Portanto não eram novos,
mas minha mãe, dona Maria, passava giz branco e recompunha a cor
clara.
Saí mais cedo de Casa, todo enfeitado com o uniforme da
banda. Ia tocar minha caixa de marcação logo atrás do Jesus da
Délcia, que era o taról mór da banda. A data marcava o dia do
Cinqüentenário do Colégio "20 de Setembro", ia ser filmado, o
desfile, pelo Luizinho Retratista. Logo seria apresentado, o
"documentário" na tela do cine Marabá.
Não cabia em mim de tanta emoção. Saímos ali pela Rui
Barbosa, e logo estávamos na Dr. Monteiro, descendo a rua e o
povo nas calçadas nos esperando. Na semana anterior, tínhamos
apresentado uma Feira de Profissões, onde cada um no seu pequeno
stand representava a profissão do pai. Fiquei ali batendo lata
num carrinho como mecânico, uma das profissões do velho Jacinto.
As professoras, Leda, Gei, Dilsa, dona Altamira, Ruth Burnet,
Ruth Conceição e funcionárias, todo mundo vibrava nos 50 anos do
Velho 20.
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Escola Estadual
20 de Setembro |
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Hoje leio agradecimentos as professoras, muitas minhas
contemporâneas de escola, outras mais jovens e me transporto.
Estou em 1962, o coração dispara, os olhos ficam cheios de
lágrimas.Sou de novo o menino levado da Maria , o Guri do
Jacinto.E afinal, sou o que sou e por pouco ou muito, sou porque
estudei no 20.
Minha memória me trai, esqueço de tantos, mas estão
todos na minha lembrança, não esqueço seus rostos e nos meus
sonhos procuro por eles. Muitos já são os meus fantasmas, outros
revejo nos filhos e nos netos e bisnetos. Jamais existiu, ou
existirá no Arroio Grande uma escola como o 20. Sirvam nossas
façanhas de modelo a toda terra.
Perceberam que este ano estaremos completando 98 anos.
Porque não nos organizamos para festejar o Ano 1 rumo ao
Centenário? Divulguem.
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MEU LUGAR
No peito uma enorme saudade de um tempo passado. Nos olhos as doces imagens desta terra que amo. Vejo suas ruas nas fotos deste portal e vou virtualmente entrando nelas. Sento debaixo das árvores, ando pelas ruas como estivesse lá, assim como foi há 50 anos atrás. Meio século e estas lembranças continuam vivas para mim.
Vejo a santinha de braços abertos sobre nós, como o Filho sobre a Guanabara. Na praça a fonte jorra a água pura do Divino, o arroio de nossa meninice. Cabeças brancas mostram que o tempo passou, mas ainda existe nos lábios o mesmo sorriso dos meus amigos.
Minha terra querida, o quanto ainda devo fazer por ti. Se nada fiz sei que me perdoas, mas Deus deu-me tempo de ti reverenciar e dizer que te amo, por tua gente, pelos teus jovens, pelos teus velhos.
Arroio Grande és uma canção de Amor inesquecível. És o meu lugar, fostes meu nascer, serás meu morrer com as cinzas jogadas no teu arroio, levadas pelo vento Minuano e, então serei eterno na poeira do tempo.
Te amo, meu lugar para sempre.
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Chafariz da
Praça Central |
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PENSANDO
GRANDE E VIAJANDO NO PENSAMENTO
Antes de pensar no Arroio Grande como um grande canteiro de obras, gostaria de pensar na minha terra como um canteiro de idéias. Ver Arroio Grande permanentemente idealizada para depois ser projetada e afinal programada para a execução do pensamento que nasceu da mentalidade universal e cósmica que construímos.
Nada de “viagem”, mas de viagem com os pés no chão e a cabeça livre para pensar.
Queria ver minha terra com um Fórum Permanente do Pensamento.
Pode ser uma coisa muito louca, mas pelo menos uma vez por mês este Fórum iria reunir-se para avaliar as idéias que surgiram e sua viabilidade.
Mesmo aquelas que no momento fossem descartadas ficariam numa espécie de Banco de Idéia e Projetos, que mais tarde poderiam ser utilizadas.
Porque ás vezes pensamos á frente e naquele momento em tempo real não são admitidos estes pensamentos. Mais tarde sim, como se de repente a Convergência Cósmica e Universal estivem alinhadas com o nosso pensamento.
Se não entendeu leia de novo, se entendeu é porque estamos alinhados.
Já imaginaram uma comunidade inteira pensando sua cidade, seu município? Não é Orçamento Participativo que isso é uma baita vigarice política, onde uns poucos, orquestrados empurram os demais para seus projetos políticos.
Pensar Coletivo é reunir as crianças nas escolas, os jovens, os religiosos, os empreendedores, as autoridades, a população num grande Fórum do Pensamento, caminhando para as soluções comuns.
Utópico? Quando Anélio Saraiva disse que havia petróleo na bacia do arroio Pelotas e na Ponta Alegre, riram dele. Louco, utópico! E hoje? Perderam-se 60 anos nisso.
Sabem porque os japoneses e os americanos e agora os indianos são a ponta da pesquisa e da ciência? Porque eles reúnem os “loucos e utópicos” num laboratório, numa sala e mandam pensar. Quando sair fumaça da cabeça está pronto.
Em 1960 os loucos do Instituto Tecnológico de Massachussets-MIT, reuniram-se para pensar o
Futuro. Dali saíram projetos e um livro registrou tudo isso. Quem estava lá ? Os maiores
cientistas "loucos" do Mundo. Disseram que teríamos a Internet e o telefone celular, a TV plana, os meios mais modernos de comunicação, os blocos econômicos, étnicos e religiosos. Não erraram nada e ainda tem coisa projetada,
pensada lá nos anos 60 para acontecer.
É sobre isto que quero conversar com meus conterrâneos quando criarmos a tão sonhada Associação Mauá e vamos
fazê-la logo neste mês de março. Aguardem.
Podem começar a viajar, que a nossa nave está sendo montada. Quem quiser que se inscreva nela e guarde o seu lugar no Futuro.
Meu corpo tem 57 anos, minha mente 157. Se quando menino me chamavam de Gordo do Jacinto ou de O Guri da Maria, um dia me chamarão de O João, aquele louco avô do Lucas.
Senhores passageiros, tomem os seus lugares, apertem os cintos, coloquem seus acentos na posição vertical, observem os avisos de não fumar, liguem seus aparelhos cerebrais e Boa Viagem.
João Antonio, o João Garcia, que alguns conhecem por JG e os mais velhos por Gordo do Jacinto. Eu, um Ser que Pensa.
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Foto: Postais GEAN
ampliar +

Ponte Mauá |
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ESPECIAL: ENTRE AMIGOS
João Antônio,
Acompanho tuas crônicas e sinto nelas os mesmos anseios que também professo: temos só uma vida, uma só Arroio Grande, com os mesmos amigos e as mesmas paisagens que nos marca desde a infância.
...
... seguirei escrevendo para ti. Fazendo ganchos, num estilo simples vamos discorrendo sobre o caudal de recordações que carregamos. Muitas coisas a escrever sobre clichês que marcaram nossa vida. Passagens, momentos, cacos de nossa existência que não podemos deixar no esquecimento. Nesse sentido, há fatos a contar que só o destino nos liberará.
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Foto: Revista Tempos

Rua Dr. Dionísio de
Magalhães, em Arroio Grande |
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... se quiseres fazer uso no site da cidade, por serem teus, remeto, adiante, o pequeno conto, com o título FIM DE TARDE, que te dediquei,
lembras? Por ter como tema o aparelho rádio e a dedicatória, neste caso, era extensiva à memória do Seu Jacinto (primeiro professor de rádioeletrônica do Nelsinho, do João Saraiva e tantos outros, por estas bandas). Um abração do
Arnóbio.
MEMÓRIA INCOMPLETA DA ATUAL RUA DR. DIONÍSIO DE MAGALHÃES (em forma de
cartas) ao JOÃO ANTÔNIO GARCIA*
João Antônio,
Tua última crônica publicada no A EVOLUÇÃO, foi de uma
felicidade incrível, teve a virtude de mexer com a nossa lembrança,
deixou bem à mostra que o cordão umbilical que te liga à nossa Terra
nunca vai ser cortado. De há muito tu vens escrevendo sobre este
tema/saudade e já há um bom tempo vens me toureando para que eu também
escreva sobre ele. Escrever sobre o tempo da meninice, da adolescência
vivida nesta província. Agora me rendo, não tem como um vivente não
entregar os pontos.
Há muita coisa para se registrar, se contar... Às
vezes, quantas vezes, eu faço as mesmas viagens que tu fazes pela nossa
cidade... Pois bem, vamos escolher uma rua, vamos? Pode ser a tua.
Quantas coisas antigas na tua antiga rua. Quantas coisas a relembrar num
simples passeio que poderia começar na barbearia do Seu Berto e terminar
na venda do Dinarte, na Bica, na Fábrica de Café do Didivo, naquele
finzinho de rua. Quanta coisa entre estes dois pontos... A meio caminho,
a Sete Portas e nela, latejando como um coração, o Bar Honra e Glória,
do Irani, cheinho de chinas. (A Negra Maurícia, a Maria Vaca, a Paisana,
a Nair Gaveta, a Helena Peluda). Defronte, o Cabaré da Marina, o antigo,
do que não nos foi possível conhecer as entranhas, pequenos que éramos.
O Bar meu Cantinho, do Alicate e a correspondência e a cumplicidade
destes lugares com a Casa de Cômodos do Zé Cavalliere. O Bar da Iracema
do Tuca, a Barbearia do Couto. A casa do Marta Rocha, sempre sozinha,
até hoje sozinha naquela esquina, lembras? E os gansos da Dona
Margarida? A venda do Nestor, um centro comercial que não sabíamos que
existiria um dia só na nossa imaginação. A casa do Wilson Feijó, o Hotel
do Chico Bonneau, residência do Alvim Caminhão. A casa da Dona Coca, a
carpintaria do Lauro Surdo, defronte à Casa Alfredo. A casa da Lina, a
casa do Seu Paulino e a barbearia do Seu Nito. A venda do Carlos
Barulho, a alfaiataria do Seu Hugo e a Voz dos Pampas. A Delegacia de
Polícia (o delegado Herculano), depois padaria do Fioravanti; O Posto de
Saúde naquela esquina confronte à Casa do Seu Donário, depois do Albino
Peter. A Usina, principalmente o pátio da Usina, defronte ao Correio. O
Café do Deca, o escritório do Antônio Silva, o bazar da Dona Negra e a
Sede do Jornal. A Oficina do Antenor e o Posto de Gasolina na esquina do
Aldírio, teus vizinhos mais próximos.
Ah! João Antônio, quanta coisa num pedacinho de rua, na
rua da Oficina do Valentim (ou da loja do Rocco?). Um dia ainda escrevo
sobre isto. Um abração do Arnóbio.
***
João Antônio,
Escrever sobre a tua Rua foi mexer em vespeiro. Pensava
ter esgotado o assunto. Pensava. De certeza a onça da saudade foi
cutucada com vara curta. Não haveria de ser a tua Rua apenas uma rua.
Tua Rua é um mundo. Um mundo que espera venhas, sempre
mais uma vez, para compartilhar, com os mesmos de sempre, a sempre
renovada nostalgia. João, tem o tempo em que havia uma oficina de
consertos que pertenceu ao cidadão João Jacinto Garcia (teu avô?), lugar
onde foi o Armazém Pacífico, defronte à horta do Irani. A venda de Secos
e Molhados do velho Martim Sapo, que ficava a menos de cinqüenta passos,
em diagonal, da Casa do Pedro Costa, pai do Nero e defronte à tua. O
armazém do Horácio, esquina com a Praça, onde chegou a funcionar uma
forte casa comercial do Izidro Peres (neste lugar também existiu o
restaurante do Otacílio Bichão. Perto, ao lado Bazar Arroio-grandense, o
consultório do Doutor Falcão. A relojoaria do Seu Cesário, irmão da Dona
Nita do Zecão Carneiro, ao lado da casa do Gu. O engenho do Seu Davi
Costa com aquela chaminé imensa, que até hoje existe e que tocou
milhares de ave-marias do Gounod (através dos alto-falantes do Ganso).
Todos, ou quase todos, lugares que foram íntimos dos nossos pais, que eu
estava deixando, pois, para listá-los numa outra oportunidade, quando
voltaria a falar sobre a tua Rua de mais antigamente. Mas, é imperdoável
ter esquecido a Padaria do pai do Dandão, no lugar onde funcionou a Loja
do Turco Issa; a venda do Branquinho, lá naquela lonjura; a venda do
Jaime Rodrigues, penúltima casa da rua (o caixeiro era o Mauro do
Cazuza). A última casa da rua, então, era a Padaria Punta del Este, do
Efrain, pai do Corvo. Ainda agora a saudade, que é grande, vai me
jogando, aos trancos, para novos achados de antigamente: A Churrascaria
do Adão da Cizica, vizinha ao Hotel Regente do Vilmar Hackbart. A Voz
Rural, com o Sérgio do Venâncio de locutor, e a sapataria do Amândio,
pai da Praxedes, defronte àquela pequena pensão familiar do Gringo, onde
morou o Laudelino Três Bolas (se não me falha a memória ele era
gerente). Que mais? O Bar Só Vai, a Pensão da Noêmia do Deca, o Posto
Ipiranga defronte à Praça e uma Padaria que foi do Neri Canhada, na
esquina da rua do Vinte.
Quanta coisa ficou para trás, ainda; quanta coisa
faltando para completar esta pequena memória sobre a tua Rua. E sobre as
pessoas da tua Rua? (diz o Nelsinho que é a rua que mais tem ou teve
músicos, será?). Vem rolo!!! Um abração do Arnóbio.
***
João Antônio,
A cada amigo que mostro as cartas/crônicas que escrevi
para ti recebo emendas e subsídios para complementá-las. Vê só no que
deu ter escrito a primeira tão ligeiramente, tão inconseqüentemente. E
ter escrito a Segunda, também como se pudesse ser definitiva. Agora, eu
não quero escrever a terceira sem estar cheio de certezas. Não me parece
difícil fazer uma pequena memória da nossa cidade, mas, qualquer coisa
que venha a ser escrita vai sempre merecer uma reforma. Eu, ao menos,
estou gostando das correções que fazem. Uma delas: e a Boite do Manuel
Português que funcionou no prédio acima do Café Marrocos? Ora, não foi
ali, então, que se apresentou a famosa Cubanita de Bronze, dançarina que
veio diretamente de Porto Alegre para fazer a sua apresentação (sobre
esta figurinha hás de encontrar por aí pessoas que tenham conhecido e
dela falem para que melhor te situes na grandiosidade do evento aqui
ocorrido.. Foi famosa, não sei se mais que a mãe. Sei que faz parte da
memória da Capital). Então, falha como essa pode ser perdoada? Ah! Essa
tua Rua de antigamente reserva, pois, muitíssimas surpresas, ainda.
Assim como foi possível esquecer a boate, esquecida também foi a Loja
Renner, do Dirceu Gaitinha, neste mesmo prédio que pertence à Sociedade
Agrícola. Depois, existiram muito mais bares nessa tua Rua e estamos
tentando resgatá-los do esquecimento: Por acaso chegou a ser do teu
tempo o Armazém dos Três Patetas? Onde mais tarde o Mulita instalou o
Restaurante que até há pouco tempo existiu, sempre com mocotó aos
domingos (na Nota Fiscal deste restaurante figurava o slogan “Mocotó
Levanta Defunto”. Tenho guardada de recordação uma dessas notas).
Naquela esquina defronte à Dona Margarida dos Gansos num certo tempo
existiu o Bar do Aparício que, mais tarde foi transferido ao seu
Carlinhos Cunha. Ao lado, a casa da Dona Menininha: vendia-se lenha. Há
menos de cinqüenta metros outro esquecimento: a alfaiataria do Zé
Cavalliere (eu apenas havia mencionado a Casa de Cômodos que ele
manteve, porém sua profissão correta era esta e ali estava instalado o
seu ateliê). E o Balaco? Lá das cercanias do Gravatá do Euzébio, o Bar
do Balaco mudou-se para onde, até hoje, mantém uma casa de comércio que
não ficou a dever nada para o Bar do Timotéo (vizinho doutro peixe, o da
Tia Rosa). Pois é... Eu não ia mais escrever sobre a tua Rua de
Antigamente sem antes me cercar de certezas, mas... João Antônio, ainda
temos que falar sobre um autinho Renault, azul escuro, que existiu na
tua Rua.
(...)
Como é bom escrever sobre a nossa cidade, sobre as
nossas coisas. Agora mesmo, mais dados sobre a tua Rua de antigamente, a
nossa Rua de sempre e que, ao que tudo indica, sempre viveu sob o
império das mulheres. Desde os tempos da Chácara da Lina, no início da
rua, refúgio onde a molecada de então caçava tico-ticos e pardais, até o
último bar inaugurado: o Bar da Rogéria do Ósca (escala do Papaco antes
de ir para o Molenguda e encerrar o trago). Na rua, ainda hoje, um dos
bares mais fortes do momento é o da Marilda na esquina da rua do Vinte,
no mesmo local em que existiu a churrascaria da Sílvia do Élvio. Noutra
esquina, foi point (quando a palavra ainda não era aplicada) a
Churrascaria da Eni, na chaminé. Nesta rua foi famoso o peixe da Marina.
Marina velha de guerra, navio-escola... Bastante afluência teve, também,
em certa época, o Bar da Mirta, que ficava lá para as bandas da
Cooperativa. Sob a batuta de uma mulher, também, existiu um bar que
marcou época e foi do nosso tempo de guri: o da Noêmia do Deca, na
esquina da Praça. A Tabacaria da Nanci e, quase defronte, o restaurante
da Neli, com o nome de “Progresso” . Teve, também, nesta tua Rua de
antigamente a loja da Dona Mosinha, a pensão da Dona Augusta e o já
citado, em oportunidade anterior, o bar da Iracema do Tuca. Mais, no
mesmo local onde funcionou a autopeças do Professor Romeu, loja que se
chamou R.B.Conceição, também abriu sua porta a cigarraria da Armênia.
Neste mesmo prédio, já um pouco modificado, está instalada, hoje, a casa
de comércio da Neilaci: Loja a Realeza. Quem lembra do Bar do Ademar,
depois Bar Formigueiro (primeiro bar do Formigueiro)? No mesmo local
chegou a existir o Bar da Oscarina, do Wilson, tudo não muito longe,
tudo a menos de uma quadra do bar da Negrona, depois Bar da Idê, na Sete
Portas. E o Armazém da Aninha, ao lado da tua casa, e a Loja da Ana
Júlia, recentes mas não existindo mais. Pois, João Antônio, para mostrar
que as mulheres deixaram marcas na tua Rua de antigamente, não seria
justo esquecer o Bazar Arroiograndense, da Dona Negra, defronte à Praça,
tão útil que foi, tão saudoso que é. Que mais,, que mais coisas ainda
dormitam sem que a lembrança as acordem?. Quanta coisa ainda na tua Rua
de antigamente há de surgir aumentando esta crônica/memória. Decerto,
neste capítulo, em que se procurou lembrar as mulheres da tua Rua, mais
mulheres foram proprietárias e não foram citadas. Fica para outra
oportunidade. Ainda não falamos sobre os músicos da tua rua... Um
abração do Arnóbio.
***
João Antônio,
Essa crônica será sobre os apelidos das pessoas que pela tua rua de antigamente caminharam (quando circulavam pelo Centro). Deixando saudades, algumas, e, todas, deixando lembranças, deixando suas histórias, enternecendo a aldeia, enfim...
João Antônio? Tu lembras do Anu, brigadiano? Esse vai puxar a lista de pessoas que carregam como apelidos os nomes de bichos, somente. Só nome de Bicho nesta crônica, por enquanto. Apenas rascunho que te mando e que ainda contará com uma mãozinha do Papaco, do Gralha, do Osca, de ti, Gordo velho de guerra, de tantos... Quem vai fechar a lista? Acho que vai ser o Zebu.
Alguns dos apelidos tu vais tirar de letra, outros, vão chegar
devagarinho, mexendo com a tua lembrança. Aqui, nem todos os apelidos são do teu tempo: Minhoca, Girafa, Sardinha, Jundiá, etc... É gente nova, que não conheces ainda, mas que são familiares e atuais para quem não saiu da terrinha, como eu.
Manja só a fauna, nesta despretensiosa galeria, tudo por ordem alfabética, tudo fora de definitividade (e ainda incompletíssima, já que o que se tenta lembrar sobre tua rua nunca há de passar de mera tentativa): Anu, Aranha, Arara, Ariranha, Bagre, Bem-te-vi,
Bisango, Bode, Boi, Borrego, Burrico, Burro, Cabrito, Cachorrão, Cadela, Cágado, Calandra, Camarão,
Camoatim, Camundongo, Canário, Capincho, Cará, Cardeal, Carneiro, Cascavel, Cascudo,
Caturrita, Cavalo, Chimango, Cobrinha, Cocota, Coelho, Cordeiro, Coruja, Corvo, Doninha, Ferrão, Foca, Formiga,
Forneira, Franguinho, Fuinha, Furão, Galinha, Galinho, Galo, Gambá, Ganso, Garnizé, Girafa, Gorgulho, Gralha, Grilo,
Guanaco, Jacaré, Jacu, Jaú, Javali, Jibóia, Jundiá, Lagartixa, Lagarto, Leão, Lebre, Leitão, Lesma, Loba, Lontra, Macaco, Maçarico, Marimbondo, Marrecão, Marreco, Mico, Minhoca,
Miruim, Mosca, Moscão, Mosquito, Mulita, Ovelha, Papagaio, Pardal, Pato, Pavão, Peixe, Perdigão, Periquito, Peru, Petiço, Pica-Pau, Pingüim, Pintado, Pintinho, Pinto, Pomba,
Ponei, Porco, Porquinho, Quati, Quero-Quero, Raposa, Ratão, Ratinho, Rato, Rouxinol, Sapo, Sardinha, Sebinho,
Sorro, Tambicu, Tatu, Tico-Tico, Tourão, Tucano, Tuco-Tuco, Vaca, Varejeira, Veado, Vespa, Zangão, Zebra,
Zorrilha, Zebu.
Vês? Quantos conhecidos já esquecias, quase, e que te levarão a uma viagem ao tempo da tua meninice na tua rua de antigamente. Quantos esqueci, eu, também, nesta listagem que seria mais uma carta/crônica sobre a antiga Rua Júlio de Castilhos, que já se chamou Rua Riachuelo (nos idos de 20) e nascia na Sanga, quase na boca da Ponte Velha, antiga via Jaguarão-Pelotas. A Avenida, antes de se chamar de Nossa Senhora da Graças do Arroio Grande, já foi chamada de Avenida Brasil.
Um abração do Arnóbio.
*Por Arnóbio Zanottas Pereira
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FIM
DE TARDE (Para o João Antônio)
Juntou uns gravetos de vassoura vermelha no fundo da caixa de lenha e acomodou-os em cima das brasas que dormiam no fogão. O fogo se avivou sob a chapa onde estava a chaleirinha de ferro e a panela da comida que restou do almoço.
Com porongo do chimarrão na mão – Gerôncio tinha o costume de manusear as tralhas da cozinha segurando a cuia enquanto a erva inchava – olhou, contemplativo, pelo retângulo da janela a linha do horizonte que se apagava, tímida, misturando o topo da coxilha com o céu que se encardia ao entardecer. Para os lados do arroio da Divisa, nos pés de
turumãs, os jacus já tinham feito a última algazarra do dia e aninhavam-se para enfrentar a noite. No fogão, ardia uma acha de aroeira, manhosamente, mantendo quente a água da chaleira enquanto
Gerôncio, submisso pela rotina de uma vida inteira, mateava, esperando pela comida que aquecia
devagarinho. Quieto. Matutava. |

Um pôr-do-sol nas margens do arroio Grande |
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Naquele cantinho de terra chegara gurizote e ali, por inúmeras vezes dissera, havia de morrer. Vivera sempre só. Nunca quis achego com rabo de saia. Nem antes, nem agora – repetia, quando se enquadrava o assunto. Até porque já começava a nevar naquela cabeleira que fora vasta e preta denunciando as suas origens
indiáticas. E, toda vez que vinha-lhe o pensamento de um dia deixar a campanha, assaltava-o uma indisfarçável irritação, perturbava-se, seu olhar ficava sem jeito, mudava da noite para o dia. Não, morar na cidade, definitivamente, não. Nem pensar! Se a passeio já era difícil...
Então, desconversando a lembrança, buscava imagens do passado, imagens que lhe davam satisfação. Recordava o tempo em que, quando rijo como uma árvore de lei, atendia as lavouras de subsistência da estância, desde a lavração até a colheita. Agora era posteiro – na verdade era uma mistura de posteiro com agregado – e tinha aos seus cuidados os fundos da estância, para espantar intrusos e reparar as cercas, que sempre havia um consertinho aqui, outro consertinho ali, a fazer, para que a gadaria se mantivesse cuidada. Aposentado, tinha o rancho para morar e ainda, de troco, ganhava uns cobres como ajuda de custos pelo serviço que continuava prestando. Mais, tinha tempo para cuidar da sua horta onde plantava verduras e da quinta que sempre tinha frutas em abundância, graças ao bom tratamento que ele dispensava a elas.
Pois no tempo em que começou a se popularizar o rádio portátil,
Gerôncio, para aderir à moda, trabalhou uma safra inteirinha poupando seu salário para comprar um. Um dia, comprou um philcão que mais parecia uma mala, de tão grande. Foi comprar o rádio e dar adeus à solidão. A partir daí sua preocupação era não deixar faltar energia ao aparelho. Para mantença, ele era prevenido e sempre tinha várias cargas de pilha. Umas pouco usadas, outras
usadotas, outras fracas, mas ainda servindo.
E, assim, era raro, para dizer, raríssimo, pegarem ele sem rádio funcionando. Podia não ligá-lo quando havia muita descarga de tormenta, mas era só, também. Philcão sempre ligado quando ele estava na lida da casa ou se recolhia para o descanso. Manhã escura, ainda, acordava com tenência no rádio e, antes de botar o pé para fora da cama já estava com ele ligado. Quando manuseava os avios para o mate e remexia a caixa de lenha à procura de um graveto para começar o fogo, já as primeiras notícias da manhã enchiam de vida o ranchinho construído de leiva. Tinha um rádio como campanheiro e bastava – como ele dizia. E
dá-le! Palavreado e dá-le! música gauchesca.
Depois da janta, pitava, deitado, um enroladinho para em seguida dormir como criança pequena – que vida se não fosse a morte...
Um dia, já vaqueano de tanto bulir com o rádio,
Gerôncio, que não era muito de se abrir confessou um desejo:
Da vida, só quero uma coisa, não quero morrer sem antes conhecer Canguçu, Nova Iorque e Passo Fundo, terra onde nasceu o Teixeirinha!
Arnóbio Zanottas Pereira |
MEUS TIPOS INESQUECÍVEIS
Na infância - pelo menos na minha, abrem-se as cortinas do Mundo e vamos acumulando
conhecimentos que serão deletados ou arquivados na memória e voltam sempre,
a vida toda.
Quando criança no Arroio Grande (anos 50) as tardes quentes do Verão, ou frias de Inverno,
começavam pela sesta depois do almoço, mas nem sempre o sono vinha
logo. Aí comecei a aprender a ler, sem ir a escola, minha mãe Maria, dava-me os livrinhos do Walt
Disney (Pato Donaldo, Tio Patinhas, etc) para ir olhando as figuras e ela ia dizendo-me o que estava escrito
ali. Depois, já pré adolescente era meu pai que me abastecia de revistas, as Seleções do Readers
Digest.
Lia sofregamente duas sessões, Piadas de Caserna e Meu Tipo Inesquecível.
Tempos depois, já adulto, fui perceber que também na minha vida tinha Tipos Inesquecíveis, a povoar minhas lembranças.
Já andei escrevendo no A Evolução sobre eles. Orgulhosamente costumo falar aos meus amigos que na minha Terra tudo chegou
antes. Por exemplo: a Diomésia, vivia vestida de verde e foi a primeira manifestação do
Verde, da ecologia que conheci. A Morocha (antes que a expressão fosse transformada em musica e polêmica) já usava fio dental.
O Arnóbio Pereira, que é o maior contador de historias do Arroio Grande, superando o Paulinho Lucio e o
Papaquinho, confirma isso.
Diomésia, era perigosa, porque depois de ouvir em bocas infantis, serelepes, seu apelido
de Biruta, ficava enraivecida e corria atrás. Ai de alguém que ela
pegasse, ia se dar mal. A Morocha, não era nervosa, ficava na dela, fazendo os trabalhos domésticos.
Até pouco tempo ainda ouvia falar dela albergada no asilo do Arroio Grande.
Vou aproveitar este espaço aqui do Portal para falar da minha, da nossa
terra. Faça o mesmo e valorize esta iniciativa do André Floor. Todos vão gostar.
Com afeto, João Garcia.
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