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Dia desses, fui até a cidade
de Arroio Grande, para rever alguns amigos e também para usufruir de um
dos lugares abençoados que existe nesta cidade. Trata-se do Mato das
Figueiras, que se localiza na margem esquerda do Arroio Chasqueiro, se
estendendo pelas propriedades dos Senhores Fernando Silveira e Olavo
Teixeira.
Visito este lugar há uns vinte anos e, sempre que posso
retorno, pois tenho este lugar como um dos mais lindos que conheço,
tamanha a exuberância da flora que lá se encontra. Há, principalmente,
bromeliáceas, cactáceas e orquidáceas que são as plantas que mais me
chamam a atenção, tanto que possuo uma coleção de orquídeas, bromélias e
cactos, dos mais diversos lugares.
Nesta minha ida encontrei uma bromélia em especial, que
estava no auge da floração, é a Aechmea recurvata, planta que se
salienta entre as outras por apresentar coloração avermelhada nas folhas
e inflorescência, tendo as flores em si na cor lilás. Também se encontra
com flor a Tillandsia aeranthus, o popular “Cravo do Mato”, e iniciando
o período de floração a Tillandsia geminiflora, assim chamada por
apresentar flores aos pares, lá também se encontra a Tillandsia
usneoides, muito conhecida e que poucos se dão conta ser uma bromélia,
pois a conhecem como “Barba de Pau” ou “Barba de Velho”. Andando pelo
mato, em uma área dele encontrei também a Vriesea gigantea, uma bromélia
de porte maior, verdadeira gigante, que habita os galhos grossos das
figueiras.
Há no mato muitas cactáceas,
a grande maioria epífita, que embelezam as árvores com suas flores de
várias cores, e entre as terrestres encontramos plantas dos gêneros
Opuntia e Cereus, em grande número.
Mas o que mais chama a
atenção neste mato são as orquídeas, desde pequenos Pleurothallis, que
são micro-orquídeas, até Oncidiuns, que são aquelas das flores amarelas,
lá encontramos pelo menos duas espécies, o flexuosum e outro que irei
observar a floração para melhor classificação.
Entre todas as orquídeas e
demais plantas que lá se encontra, a que sem dúvida apresenta maior
charme, é a Cattleya intermedia, uma orquídea de rara beleza. Esta
orquídea aparece do nosso estado até o Rio de Janeiro, porém é aqui na
região sul que ela apresenta o seu melhor desenvolvimento, colorindo as
árvores, em especial as corticeiras (Eritrina crista-galli) com suas
flores. Esta é a orquídea que provavelmente mais variações apresenta nas
suas florações, se observarmos bem nunca encontraremos duas plantas com
flores iguais.
Não poderia deixar de falar
aqui na mata, as corticeiras enormes com suas hóspedes, as plantas
epífitas e as figueiras centenárias, que apresentam troncos esculpidos
pelo tempo, cada qual mais bonito e curioso, e que permitem a caminhada
quase sempre pela sombra.
Enfim, um lugar para se
visitar e guardar com o maior carinho, trata-se de um belíssimo
patrimônio natural.
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