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:: Filhos Ilustres

(Filhos Ilustres) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
                       Foto: Postais GEAN
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     O povo da Terra de Mauá é hospitaleiro e de costumes muito simples. Quem visita Arroio Grande leva consigo a imagem de uma cidade que investe em qualidade de vida, tanto na sede, quanto no interior. Nossos inúmeros atrativos retratam nossa história e a de filhos ilustres. Tudo revertido na melhoria da qualidade de vida da população.

Basílio Conceição

     "Tentei fazer uma canção bonita, dessas que se vão, de pago em pago, saudade que eu trago no meu coração! (...) Ah, Prenda bonita, nunca fui poeta e pouco sei cantar... Fiz esses versos tortos pra lembrar..." (Uma Canção para minha Prenda)


     Artista notável, tentou ser bancário, trabalhador do comércio, auxiliar de contabilidade, secretário, datilógrafo, agricultor, exercendo inúmeras outras atividades enquanto a sua personalidade inquieta permitia. Mas foi como músico e compositor que Basílio ficou conhecido, especialmente pelo sucesso de músicas como “Uma canção para a minha prenda”, “Trovões de Ana Luz”, “Delírio”, “Groenlândia”, "Vô Basílio", "Pampeana", "Uma Índia", "América do Sonho" e outras, com destaque em festivais na região e no estado. Morreu em 1990, com menos de 40 anos de idade. Um poeta sem rimas retas, diferente de muita coisa que hoje se ouve. Fez melodias maravilhosas e participou de todas as edições do Musicanto (Santa Rosa), sendo o único a subir sozinho no palco e classificar sua música para o disco. Um artista como o Basílio merece ser lembrado eternamente.

(Basílio Conceição) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com

     Viveu intensamente as melhores fazes da vida e até hoje é um ídolo inesquecível. Se não fosse a fatalidade de sua morte, com certeza seria um dos maiores nomes da musica gauchesca e brasileira. Foi, como dizem, uma "grande figura": grande músico, ótimo amigo, um parceiro e tanto! Fica a saudade e a lembrança das rodas de amigos, ao som das suas músicas! Em reconhecimento ao artista, Basílio Conceição foi escolhido para dar o nome ao Centro Cultural de Arroio Grande.

     "não me digas nada, só me encosta no teu peito e me beija como quem não vai voltar... e eu te busco aqui dentro de um copo, como um louco, vagabundo, só eu sei como te amar..." (Vertentes)

     Abaixo a última canção inédita de Basílio. Cortesia do parceiro e amigo Kininho Dornelles.


Solidão


Eu não sei dos caminhos cor de ouro,
Eu não sei,porque mágoas torturava
cabrestiando a minha sorte
Me julgava um taura forte
Domador dos sentimentos mais bandidos

engano amigo meu
Os desamores serão sempre as sementes produtivas das paixões

Pelas noites,mateando solito
Proseio atoa com meu cusco teatino
Por mistérios que só a alma entende
Chora um gaudério nas areias do Cassino

Mas manhazita,mateando tranqüilo
Se é amiga ou inimiga a solidão
Não me importa não mais
Pois os ventos e as dunas
Livres e inconstantes vivem só como eu neste chão.
 

Músicas para Download
(Cortesia: Vanessa Conceição)



Uma Canção para minha Prenda

Sangria

 

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entre em contato com o site.

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     IRINEU EVANGELISTA DE SOUZA, o Visconde de Mauá, nasceu em 1813, sendo neto dos primeiros povoadores de Arroio Grande. Com o falecimento de seu pai (João Evangelista), Irineu, com apenas 9 anos de idade, deixou o rancho no interior do município e, levado por um tio, foi parar no Rio de Janeiro, capital do governo imperial. No Rio, Mauá foi arrumador de prateleiras, estafeta, caixeiro, guarda-livros e contador, até investir no comércio e na indústria, ganhando muito dinheiro e prestígio com a criação de ferrovias e a instalação de instituições financeiras (bancos) que inclusive levaram o seu próprio nome. Depois de falir e reabilitar-se, Mauá morreu em 1889, sem nunca ter sido bem aceito pela nobreza da época, apesar dos títulos de Barão e Visconde que recebeu. Hoje, é reconhecido pela história como o maior empresário da sua época. Em sua época, mais empreendedor, mais dinâmico, mais inteligente. Suas realizações ultrapassaram as fronteiras do Brasil e fizeram nossa Pátria avançar muito rumo ao progresso e ao reconhecimento mundial. Através de sua figura, hoje, nosso município torna-se, como seu berço, conhecido em todo país.  (Clique neste link para saber mais detalhes da história desta personalidade.)

     LEONEL MUNIZ FAGUNDES nasceu nas cercanias de Herval, em 20 de maio de 1873. Foi professor naquela cidade e dono de cartório em Arroio Grande. Jornalista e poeta, destacou-se realmente pela oratória e pela acidez e aspereza dos seus poemas, em sua maioria na forma de sonetos. Morreu de tuberculose, com 44 anos de idade.  (Clique neste link para saber mais detalhes da história desta personalidade.)

     AIMONE SOARES CARRICONDE foi prefeito da cidade por mais de uma vez, entre as décadas de 1930 e de 1950. Advogado e Professor, inaugurou o prédio da Santa Casa de Misericórdia e foi o criador do Ginásio Municipal que hoje leva o seu nome - Instituto de Educação Aimone Soares Carriconde. O Dr. Aimone destacou-se pela inteligência e cultura, possuindo imensa biblioteca; teve ainda enorme influência nos meios políticos na sua época. Foi um político de primeira grandeza, colocava os interesses comunitários sempre acima de qualquer sigla ou sentimentos partidários, respeitava profundamente as convicções alheias. Foi um homem de caráter impoluto que amava sua comunidade antes de tudo e a ela dedicou o melhor de seus conhecimentos e trabalho.

     JOÃO TEIXEIRA, o "Marta Rocha", ganhou esse apelido pelos longos cabelos loiros, numa alusão ao nome da famosa Miss Brasil que surpreendeu o país pela sua beleza à época. João fez história como ativista político em Arroio Grande, em especial pela sua participação junto aos partidos de esquerda na tentativa da derrubada das oligarquias conservadoras da cidade que detinham o poder nos anos 1960/1970 no Município. Marta Rocha foi também "fábula" do Direito (espécie de advogado que exercia a profissão sem necessidade do diploma), assim como notável orador, exercendo enorme influência entre os intelectuais, os políticos e a juventude da sua época. Irreverente e frasista, costumava dizer “eu sei que existe outro caminho por aí”, apontando o dedo para as pessoas, no seu inconformismo como o mundo que vivenciava. Morreu em 1978.

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(Gumercindo Saraiva) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com

Gumercindo Saraiva

     Nasceu em Arroio Grande em 13 de janeiro de 1852, e morreu em 10 de agosto de 1894 em Carovi, no Rio Grande do Sul. Primogênito do ex-combatente farroupilha Francisco Saraiva e de Propícia da Rosa Foi um dos comandantes das tropas rebeldes, (Maragatos) durante a Revolução Federalista e um dos personagens mais injustiçados pela história oficial.

A origem do guerrilheiro
     Um dos mitos da Revolução Federalista, o caudilho Gumercindo Saraiva, foi na verdade um herói injustiçado, até o fato de ser brasileiro lhe foi negado. Tido como uruguaio pela maioria dos historiadores, era na verdade Rio Grandense, nasceu na localidade que mais tarde viria a ser a cidade de Arroio Grande. Ainda bem pequeno, seu pai, Francisco Saraiva, que havia lutado na Guerra dos Farrapos, emigrou para o Uruguai em busca de melhores dias, e lá enriqueceu, tornando-se uma das maiores fortunas daquele pais da época. Quando Gumercindo, juntamente com seu irmão Aparício, atingiu a adolescência, foi enviado a Montevidéu, para estudar no colégio de Montero Vidaurreta, conhecido educador. Os pais achavam que eles poderiam ser médicos ou advogados, mas os dois logo se aborreceram e aproveitaram a primeira oportunidade para escapar da escola. A primeira que surgiu foi um levante contra o governo colorado de Lorenzo Batlle, em 1870. Essa revolução, liderada pelo caudilho rural Timoteo Aparicio, ficou conhecida como Revolución de las Lanzas, devido à arma que predominou, o que testemunhava o primitivismo da tecnologia militar disponível na época. Por conta da revolução, Gumercindo começou a acumular prestígio, chegando a ser nomeado comissário, logo após seu término, em 1872. Seria o prenúncio da carreira do homem que, anos mais tarde, seria amado por seus correligionários e odiado mortalmente por seus inimigos políticos.

     Em 1875 participa de outra insurreição que foi prontamente controlada pelos governistas, mas que o deixa um homem marcado por ser um “blanco”. Já casado e com filhos, ante a ameaça de ser preso pelos inimigos, resolve voltar ao Rio Grande do Sul, indo administrar uma fazenda de seu pai em Santa Vitória do Palmar, onde combateu ferozmente os ladrões de gado. Conhecido e famoso pela sua audácia, foi nomeado coronel da Guarda Nacional pelo Imperador Pedro II, que chegou a oferecer-lhe o titulo de Barão de Santa Vitória do Palmar, o qual foi gentilmente recusado, pois era republicano convicto.

     Gumercindo foi uma espécie de Martin Güemes redivivo, o saltenho que por primeiro conseguiu, durante as guerras da independência da Argentina, de 1815-1820, fazer com que os gaúchos pampeanos deixassem de ser tratados como a plebe rural, como bandoleiros, para torná-los respeitáveis combatente, ao criar o regimento dos "Dragões Infernais". Desde a primeira grande batalha que os federalistas, ao lado de quem Gumercindo viera lutar - desde que entrara em território brasileiro por Aceguá -, travaram com os republicanos em Inhanduí, nas alturas do Alegrete, em maio de 1893, ele percebeu que a guerra montonera deveria ser modificada. De nada adiantavam heróicas cargas de cavalaria, a maioria delas com lanças e facões, contra pelotões disciplinados de atiradores equipados com carabinas de repetição, com metralha e peças de artilharia, como as que contavam as tropas do governo gaúcho, reforçadas pelos regimentos do exército federal.

     Além disso, o espaço para travar a guerra encurtara. Os caudilhos não dispunham mais da imensa liberdade de ação de antanho, dos tempos das guerras farrapas ou dos tão comuns entreveros de fronteira. O telégrafo e as estradas de ferro, que começaram a dominar a região da campanha, fizeram com que os exércitos dos rebeldes rapidamente pudessem ser localizados e contra eles fossem lançadas as forças repressivas do governo. Gumercindo Saraiva, em vista disso, decidiu-se dispersar os seus 400 homens, chamados depois de maragatos (apelidos que os republicanos governistas deram as rebeldes), transformando-os em pequenos corpos de combate. Fez deles, gente de "bota e potro", uma infernal guerrilha montada, com ordem de proverem-se de cavalgaduras e de armas de fogo nos arsenais do governo: de D. Pedrito a Cachoeira, de Encruzilhada a Quaraí. A gente do Gumercindo estava ao mesmo tempo em todos os lugares e em nenhum.

O inicio da Revolução
     Julio de Castilhos em 1890, quando cogitou organizar o Partido Republicano em Santa Vitória, mandou oferecer-lhe a chefia local do mesmo, por intermédio de Assis Brasil, a qual oferta recusou por não admitir a colaboração dos antigos conservadores, seus tradicionais inimigos de longa data. Segundo alguns autores, aquela recusa foi a causa do ódio que passou a devotar-lhe Julio de Castilhos, e a causa de todas as acusações que passou Gumercindo, de então em diante.

     Com a ascenção de Julio de Castilhos ao governo do Rio Grande, foi exonerado da função de delegado passando, por ser inimigo deste, a ser perseguido, tendo inclusive enfrentado processos judiciais, que culminaram com sua prisão e, em seguida uma fuga espetacular do cárcere.

     Em 1892, o governo de Julio de Castilhos entra numa fase de instabilidade, o Rio Grande do Sul está em ebulição, de um lado os castilhistas e do outro os federalistas liderados por Joça Tavares, a revolução estava se iniciando. Gumercindo tendo se negado a aderir ao castilhismo, estava sendo perseguido e resolve voltar ao Uruguai onde os rebeldes estavam formando suas tropas. Em 2 de fevereiro de 1893, acompanhado por seu irmão Aparício e liderando cerca de quatrocentos cavaleiros, a maioria uruguaios, atravessou a fronteira em Aceguá entrando no Rio Grande do Sul, juntando-se aos homens do General João Nunes da Silva Tavares, formando assim o Exército Libertador, um contingente de mais de três mil homens, que em pouco tempo com as adesões, chegaria a doze mil. Em 4 de abril de 1893; acontece a primeira batalha com as tropas legalistas (Picapaus). Depois de vários combates com as forças do governo, percebendo estar diante de um exercito melhor preparado e armado, Gumercindo Saraiva parte para a prática de guerrilha, evita combates convencionais, dispersa as tropas legais para tentar vencê-las depois, em partes, tática esta que deu certo.

     Mas logo as suas histórias começavam a percorrer o Rio Grande: um trem assaltado em Bagé, um curral incendiado em Jaguarão, fios de telégrafo sabotados em São Gabriel, a tomada de Lavras e a entrada triunfal em São Sepé. Aparecia e desaparecia com uma velocidade desconcertante, desmoralizando as propostas de paz e as ofertas de garantias para os federalistas que depusessem as armas. Contra todos os pareceres, a guerra continuava, e tinha um nome: Gumercindo. A Divisão do Norte foi chamada para perseguir, encurralar e destroçar o contingente de Gumercindo Saraiva. Perseguiram-no dia e noite e quando pensavam que o tinham encurralado em Vacacaí Grande perderam-no num capão cerrado. Apareceu de repente em Herval, deu um susto em Arroio Grande e depois se apresentou diante de Jaguarão e postou-se em posição de ataque. Pinheiro Machado compreendeu que Gumercindo tinha a intenção de avançar até a cidade de Rio Grande para apoiar Wandenkolk que, agora estava diante do porto de Rio Grande, com sua precária armada. Se Gumercindo pudesse dar-lhe apoio, as coisas começariam a ficar complicadas. Pinheiro Machado compreendeu que Gumercindo poderia incendiar os ânimos dos federalistas mais uma vez. Acelerou a marcha da Divisão do Norte para tomar-lhe a frente. Gumercindo parou sua marcha, esperou, depois retrocedeu. Recebera a notícia de que os federalistas já estavam recompostos, mais bem armados e tinham tornado a entrar em território gaúcho. A reunião seria em Ponche Verde, perto de Dom Pedrito. Com rapidez desmobilizou o cerco e tocou no rumo do oeste. Quando Pinheiro Machado chegou na região não encontrou mais vestígio dos federalistas. Pinheiro Machado começava a entender por que Assis Brasil, certa vez, fizera questão de aliciar o caudilho. O homem fora um tropeiro. Como ele, conhecia os atalhos.

A marcha para o norte
     Após vários combates e vitórias em solo gaúcho, os revolucionários federalistas decidiram atacar o Rio de Janeiro, e sob o comando do General Gumercindo Saraiva 1.900 homens partem para o norte, através de Santa Catarina e do Paraná para tomar a capital federal. A sua marcha para o Paraná a principio não teve muitas dificuldades, separando-se em duas colunas seguiram pelo “Caminho das Tropas” para Vacaria, Lages, Curitibanos, Blumenau, Itajaí, Florianópolis, Joinvile, Paranaguá, Tijucas do Sul e finalmente Lapa, onde foi barrado por tropas legalistas que ofereceram maior resistência, (o legendário Cerco da Lapa, em janeiro de 1894 ) os combates duraram 26 dias, e apesar da vitória, esse imprevisto atrasou as tropas de Gumercindo, permitindo o reagrupamento dos legais que haviam batido em retirada rumo à Castro, deixando somente o batalhão da Lapa na retaguarda.

     No ano e meio em que perseguiram-no, várias vezes as autoridades asseguraram, com golpes de telegramas, que ele havia sido morto num lugar qualquer. Mas o Gumercindo parecia renascer numa outra coxilha, em outro descampado qualquer, e a luta prosseguia. Sua maior façanha militar foi esta intempestiva ofensiva em direção ao Norte. Desejava, depois de contatar com os insurgentes da Marinha em Santa Catarina, chegar ao Rio de Janeiro e pessoalmente apear a quem via como símbolo da tirania militar-positivista que desgraçava a vida do país. Desiludiu-se porém com a falta de apoio popular, o que o levou a concluir que "o povo brasileiro é indiferente, só luta quando o maltratam fisicamente".

     Mas também pode-se entender que as forças políticas que Gumercindo representava ou lhe davam apoio (grandes fazendeiros do ex-partido monarquista, almirantes rebelados desde 1892 contra a República), não entusiasmavam o povo miúdo das cidades ou vilarejos por onde suas tropas passavam. O que também mereceu dele acerbas criticas às populações urbanas: "As cidades" assegurou ele "corrompem as pessoas" ...lá "só cuidam de si mesmos".

A volta aos pampas
     Após a queda da Lapa, rumou para Curitiba que encontrou completamente desguarnecida, partindo em seguida para Ponta Grossa, onde enfrentou as tropas legais que haviam recebido reforços de São Paulo, obrigando-o a recuar, iniciando assim a retirada e seu retorno ao Rio Grande do Sul, agora acossado pelas tropas do governo. Em sua marcha pelos três estados, desde sua partida de Jaguarão até o retorno ao Sul, o General Gumercindo Saraiva e suas tropas percorreram a cavalo, um trajeto de mais de 3.000 km. Em 27 de junho de 1894 enfrentou sua ultima grande batalha, e no dia 10 de agosto morreu com um tiro no peito.

     Foi uma cena tenebrosa o que as tropas do chefe republicano Firmino de Paula cometeram. Descoberta a sepultura do caudilho federalista, dois dias depois de sua morte, seu corpo foi retirado da cova, teve cabeça decepada (a pretexto de atender à ciência frenológica) e levada em uma caixa de chapéus ao governador Julio de Castilhos, que horrorizado com aquele gesto bárbaro, proibiu o oficial de aproximar-se do Palácio do Governador. Acreditavam entregar depois a cabeça de Gumercindo à "estudo minucioso em proveito da ciência" para, talvez, poder encontrar nas saliências do seu crânio, os mistérios da alma amotinada de um Rio Grande do Sul que desaparecia com ele. Os seus restos mortais, dizem que amarrados numa estaca ou numa cruz improvisada, foram então expostos no portal do cemitério enquanto que os cavalarianos tiveram ordens de desfilar em frente aos despojos já carcomidos do inimigo. Ali estava "o bandido do Gumercindo", a quem as forças governistas perseguiam sem descanso há dezessete meses.

     Muitos dos republicanos não resistiram ao ódio que os consumia e cuspiram sobre aquela massa amorfa de carne putrefata e pó. Ninguém como ele havia tanto atazanado o governo de Júlio de Castilhos (iniciado em 1891). Pinheiro Machado, um dos seus mais denodados inimigos, Senador pelo Rio Grande do Sul, ao vê-lo morto, teria dito: "Parece mentira que esse trompeta chegou a estremecer a República!" Criado, desde que nascera em 1852, numa fazenda uruguaia, no departamento de Cerro Largo, filho de um ilustre clã de oligarcas do Partido Blanco, vivendo naquela verdadeira terra de ninguém que era a fronteira uruguaia-brasileira de então, Gumercindo Saraiva soube, como nenhum outro caudilho daqueles tempos, levar os gaúchos à batalha, fazê-los travar "a guerra bárbara".

     O restante do corpo de Gumercindo somente foi devolvido à família Saraiva muitos anos depois da desgraçada matança de 1893-95, quando os ânimos estavam pacificados e os velhos ódios haviam desaparecido. Seu corpo, mais tarde, foi levado e sepultado no Cemitério Municipal de Santa Vitória do Palmar, sem a cabeça.

Lendas e fatos
     Entre lendas e fatos sobre o General Gumercindo Saraiva, encontram-se histórias famosas e verdadeiras quando de sua estada em Curitiba. Ao ocupar a cidade, prometera aos lideres locais que a população e seus costumes seriam respeitados em troca de apoio aos revolucionários. Numa ocasião em que os seus soldados foram acusados de roubar uma coleção de moedas do Museu Paranaense, a título de ressarcimento, Gumercindo Saraiva doou sua espada ao acervo do Museu, onde se encontra até hoje. Em outra ocasião, um soldado de nome Diniz, matou uma mulher com uma navalha, Gumercindo muito revoltado, resolve aplicar uma punição exemplar mandando decapita-lo.

     A propaganda de guerra governista acusou-o de atrocidades, fato esse que foi desmentido por centenas de testemunhos, inclusive de inimigos políticos seus. Pois em casos de abusos cometidos por seus comandados, punia exemplarmente, como o foi com o soldado Diniz. Em estudo realizado numa pesquisa da Escola de Comando e Estado Maior, foi considerado o maior líder de combate dessa Revolução.

     Quando de sua primeira grande batalha em solo gaúcho. quatrocentos cavaleiros atravessaram a fronteira no passo do Aceguá, silenciosos e graves. Gumercindo estava vestido de negro, e levava o lenço branco atado ao pescoço, assim como Aparício. Todos os demais usavam lenços vermelhos - a marca dos maragatos -, e que se transformariam também no símbolo da revolução. Gumercindo e Aparício, entretanto, jamais colocariam aquela cor ao pescoço, mesmo que estivessem indo para uma guerra. O lenço branco, símbolo do Partido Nacional, pelo qual eles haviam dado o sangue, nunca seria trocado pelo do antigo inimigo. Os dois irmãos, ao que parece, professavam um respeito sagrado aos símbolos. Não importava que a guerra fosse em outro país, por outros motivos, talvez por outras idéias.


Bibliografia: Castilhos Goycochea, Luiz Felipe – Gumercindo Saraiva na Guerra dos Maragatos – Ed. Alba – Rio de Janeiro – Brasil – 1943. Ruas, Tabajara; e Bones, Elmar – A Cabeça de Gumercindo Saraiva – Ed Record – Rio de Janeiro – Brasil – 1997. Dourado, Ângelo – Voluntários do Martírio – Fac-símile da edição de 1896 – Martins Livreiro Editor – Porto Alegre – 1992. Site Enciclopédia IPG (www.enciclopedia.ipg.com.br). Site Terras do Sul (www.terrasdosul.pampasonline.com.br).

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:: Fotos da Cidade

                                                                                         Foto: Eliana Lúcio
(Praça Central) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Praça Central, sob neblina

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(Colégio de Aplicação) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Colégio de Aplicação do Instituto Aimone Carriconde


     FRANCISCO DE PAULA ALVES faleceu na década de trinta. Das olarias do Chico de Paula saíam, indistintamente, o tijolo e a telha para fazer a casa dos abastados e também dos desabonados. De seu bolso de mecenas saía o dinheiro que alimentava o círculo social e cultural, da época. Não era pobre nem rico. Era um “bon vivant” que se deu ao luxo de clonar uma Chica da Silva, nestas paragens. Uma cortesã com direito a muitas casas - construídas especialmente para sua manutenção - carruagens e serviçais. Enfim, uma história bonita a ser contada.

     OSVALDO ESTEVES viveu até quarenta anos atrás. O Seu Osvaldo, também foi mecenas das artes e da cultura em nossa cidade e, para tanto, construiu o primeiro prédio do Ginásio para estudo do segundo grau. Seu sonho era uma escola de artes e ofícios.

     VASCO CORVO, ruralista então moderno, que viveu em nosso interior com água encanada em sua residência, isto entre 1800 e 1820, ao que dizem, por intermédio de canos e taquaras, desenvolvendo culturas novas de cruzamento genético em seu gado. A alcunha vinha da sua cor, muito provavelmente descendente de índios e africanos.

     ARISTIDES – O AERONAUTA, descendente de escravos, freqüentador das rodas no Hotel do Alfredo Ferreira, sem conhecimento, como natural na época, de outros horizontes que não fossem os de Arroio Grande. Num belo domingo, lá por 1920, a sociedade vai ao "Prado" - hoje o parque da sociedade rural – com banda de música, para assistirem demonstrações de um "balão", trazido por forasteiro, artefato aéreo totalmente desconhecido da comunidade. Pois o Aristides, em gesto de coragem, prontificou-se se dependurar, com argolas pelas pernas, no tal balão, e alçar vôo. Por conselho do forasteiro, carregava uma pistola para arrebentar o balão, caso fosse, pelos ventos, levados a lugares de mais perigo. Consta tenha suavemente se despencado nas proximidades da Coxilha do Fogo salvando-se. Consta tenha mandado imprimir em boa gráfica um cartão: ARISTIDES - O aeronauta. Certamente foi um herói.

     NEY CAVALHEIRO desenvolveu a administração moderna, cercado das melhores amizades, e com o maior respeito, tanto aos seus companheiros quanto adversários. Soube, também com coragem, marcar a esquerda em Arroio Grande, sem os radicalismos nocivos, com serenidade e conciliação.

     AGOSTINHO HERMES DA CONCEIÇÃO foi um homem sereno, calmo e tranqüilo que devotou sua vida aos pobres, desvalidos sem cobrar honorários, atendendo a todos de forma gentil e humanitária, caritativa e assistencial. Suas causas jurídicas sempre bem arrazoadas e instrumentalizadas com embasamento legal foram motivo de comentários dos juízes que passaram pela Comarca. Recebeu duas distinções advocatícias da OAB: a de Advogado Jubilado, mais de 70 anos de profissão e a de Comendador, único da Região Sul na época. A sala de audiência do Foro local recebe o seu nome em reconhecimento pela sua capacidade.

     ALICE COLAÇO DAS NEVES iniciou sua carreira como professora no início do século XX. Durante 36 anos exerceu o magistério no Grupo Escolar 20 de Setembro, na época Colégio Elementar de Arroio Grande e que tem o nome de 20 de Setembro que por ela foi escolhido. Era natural de Rio Grande, mas fez de Arroio Grande sua segunda terra. É de sua autoria o hino da cidade que hoje é cantado nas escolas.

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Uladislau Herculano de Freitas

     Filho de Rogério de Freitas Guimarães e D. Joaquina Caetana de Freitas, nasceu em 25 de novembro de 1865, na vila de Arroio Grande, na província do Rio Grande do Sul. Órfão de pai e sem recursos, empregou-se no comércio em Pelotas e, com muita força de vontade, aproveitava suas horas de folga no estudo de preparatórios, que terminou em Porto Alegre. Assentou voluntariamente praça em 1883, no intuito de matricular-se na Escola Militar de Porto Alegre, como de fato aconteceu. Julgado, porém, fisicamente incapaz para o serviço do Exército, deu baixa, indo matricular-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1884.

     Transferiu-se para o Recife, em cuja Faculdade fez o 4º ano, mas voltou a São Paulo, recebendo o grau de bacharel em oito de março de 1889. Casado com Clotilde de Freitas, filha do eminente político paulista, Francisco Glicério, fez longa carreira política, distinguindo-se também como advogado jornalista e tribuno. Proclamada a República, exerceu o cargo de chefe de polícia do Paraná e elaborou as bases da Constituição Política daquele Estado.

(Herculano de Freitas) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com

     Em 1896 foi eleito deputado estadual e, em 1894, deputado federal por São Paulo. Renunciou ao mandato em 1895 e foi eleito senador estadual em 1896. Em 1910, foi nomeado delegado do Governo Federal no Congresso Jurídico Pan-Americano, reunido em Buenos Aires. De 11 de agosto de 1913 a 15 de novembro de 1914, exerceu o cargo de ministro da Justiça da presidência Hermes da Fonseca. Em 14 de dezembro de 1918, foi nomeado secretário da Justiça e da Segurança Pública do Estado de São Paulo, na presidência Altino Arantes e, então, inaugurou a Penitenciária de São Paulo, estabelecimento modelar, tido como um dos mais adiantados do mundo, e lançou a pedra fundamental do Palácio da Justiça. Em 1922, foi eleito senador estadual, e, logo depois deputado federal por São Paulo, tendo sido o relator da reforma constitucional levada a efeito sob a presidência Arthur Bernardes. Foi posto em disponibilidade no cargo de professor catedrático, por decreto de 29 de agosto de 1925, e, nesse mesmo ano, por decreto de 7 de dezembro de 1925, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal.

     Faleceu no dia 14 de maio de 1926, na cidade do Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista. O centenário de nascimento foi comemorado em sessão do Supremo Tribunal Federal de 17 de novembro de 1965.

Bibliografia: Supremo Tribunal Federal (www.stf.gov.br). História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.

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     JOÃO CARLOS SARAIVA, fundou o final da década de 70, a Rádio Difusora de Arroio Grande. Chamado por muitos de "Mestre", ousou sonhar com um veículo de comunicação com a "cara do povo", e assim foi à luta, arriscou-se no inusitado, mergulhou num cotidiano incansável de trabalho e brindou a comunidade com o prefixo 1580 kHz. O Mestre João fazia questão absoluta de ressaltar, com todas as letras, a importância da união de seus colaboradores, e dizia: "se um dia a Rádio Difusora perder a identidade de "Emissora do Povo", perderá o sentido de sua existência".

     JOÃO LÚCIO, destacado Maestro que criou com componentes de sua família a Orquestra Farroupilha, que por muitas décadas animou os carnavais e festas públicas e particulares. Muitas vezes recebendo pouca ou nenhuma remuneração. O Maestro Joãozinho como era chamado foi a grande alma musical de Arroio Grande.

     EDGAR DUTRA LISBOA, atuou em todas as áreas desta comunidade com iniciativas que por todos os tempos beneficiaram esta cidade.

     Dr. DIONÍSIO DE MAGALHÃES, reconhecido pela comunidade como médico humanitário atendendo sempre com carinho a todos que precisavam de sua ajuda. Foi prefeito de Arroio Grande, dedicando bastante atenção para a educação, tendo hoje seu nome lembrado em uma Escola e em uma rua como reconhecimento.

     GUILHERMINO DUTRA deixou as suas marcas de amor a esta cidade quando doou os terrenos onde estão instalados o Sindicato Rural, que leva o seu nome, o da Santa Casa, da Liga Operária e também participou da vida política do município como Presidente do Conselho Municipal, entre outras atividades.

     MÁRIO MACIEL COSTA foi eleito intendente em 1916, entre suas realizações destaca-se a inauguração da usina elétrica em 1920, e do ramal da estrada de ferro que uniu Jaguarão a Basílio com três estações no município.

     Pe THOMAZ DE SOUZA SIQUEIRA E SILVA já estava na capela do Arroio Grande em 1815, conforme relatório do bispo do Rio de Janeiro de sua visita a região, talvez seja a personalidade mais injustamente sub-avaliada da historia da cidade. Em 1833, quando da instalação do município de Jaguarão, que incluía o distrito de Arroio Grande, o Pe Thomaz, eleito vereador, foi o primeiro presidente da Câmara, a autoridade máxima da nova vila. Naquela época de pioneiros cheios de audácia e coragem e, também, de poucas letras, é de supor que o padre tenha estado à frente das primeiras iniciativas que envolviam a consolidação da povoação de Arroio Grande. Inclusive, e principalmente, na troca da correspondência como Corte que, muito bem articulada (a correspondência), pleiteava para o Arroio Grande a nova freguesia, a ser destacada de Rio Grande, em disputa com Jaguarão que afinal perdemos. O Pe. Thomaz seria o tio de Thomaz Bento da Silva (natural de Paranaguá e filho de açorianos) e sobrinho de Manuel Jerônimo de Souza (açoriano de nascimento), dos dois patriarcas da região. Morreu no Arroio Grande em 6 de junho de 1855 aos 72 anos de idade. Seus restos mortais estão sepultados em túmulo sem nenhuma inscrição ao lado do túmulo da família do Pe. Neves, conforme anotação no livro do cemitério municipal. Por curiosidade registra-se que tem fama de milagreiro, entre os mais antigos!

E esta lista está só começando. Se você quer participar desta seção, acrescentando outras figuras ilustres da nossa cidade ou colaborando com mais referências sobre as personalidade já citadas aqui, entre em contato com o site!

:: Fotos da Cidade

(Antiga Câmara de Vereadores) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Sede inicial da Câmara de Vereadores de Arroio Grande
(Dr. Monteiro, esquina com Herculano de Freitas)

(Antigo Posto de Saúde) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Prédio em que funcionava o Posto de Saúde Municipal
(Júlio de Castilhos esquina com Dr. Dionísio de Magalhães)

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