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:: Reportagens Especiais

     A Terra de Mauá, abriga um pequeno e antigo vilarejo povoado de pescadores, que conservam seus costumes. Situada às margens do canal São Gonçalo, no Distrito de Santa Isabel, a 64 km da sede do município de Arroio Grande, sendo 30km pela BR 116 e 34 por estrada de chão (RS 473).

Foto: Eliana Lúcio
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Santa Isabel do Sul

:: Dados Locais

900 moradores (120 pescadores cadastrados);
1 escola (E.E.E.F. Santa Isabel);
1 posto de saúde,
1 posto dos Correios e
1 sub-prefeitura.

Vídeo Especial Santa Isabel - por Eliana Lúcio

[Santa Isabel do Sul] Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com

:: Santa Isabel: uma histórica vila no sul do Brasil

                                                                                                                                          Foto: Eliana Lúcio
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A Igreja de Santa Isabel reformada

   O Distrito de Santa Isabel, antiga Vila independente de Santa Isabel dos Canudos, possui um passado de rica história e um presente de luta pela sobrevivência, e a incógnita, de um futuro que nem o seu morador mais otimista pode apostar qual será. Falar do Distrito de Santa Isabel é reviver importante momento da história do município de Arroio Grande. O que era para ser mais do que um patrimônio cultural e exploração turística no sul do estado, Santa Isabel é uma comunidade onde as pessoas misturam sentimentos de indignação e esperança. Basta conversar com alguns moradores da famosa Vila, onde se hospedaram ilustres vultos da história do país, para sentir o quanto aguardam por dias melhores. O “primeiro milagre” pode estar próximo de acontecer e ele, certamente, revolucionará a vida das pessoas: a tão esperada água potável nas residências.

   O Distrito de Santa Isabel fica distante cerca de 50 km da sede do município. O acesso só pode ser pela RS 473 / BR 116. Há três anos a única balsa que permitia chegar ao outro lado do Canal São Gonçalo, tendo como opção mais próxima o município de Rio Grande, está desativada. Sem dinheiro para cumprir as exigências da Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul e reformar a embarcação, os proprietários resolveram aposentá-la. A distância entre a Vila e a cidade de Rio Grande, pela balsa, somava 37 quilômetros. Atualmente, pela RS 473, passando pela BR 116, o percurso totaliza 120 quilômetros. Muito tem se falado na construção de uma ponte entre os dois lados do São Gonçalo - obra orçada em 60 milhões e considerada como fundamental para o desenvolvimento da região - e com a ponte viria o asfalto no trecho de chão batido que sequer é patrolado pelo estado. Mas, o projeto ainda é mera discussão nos gabinetes políticos. Há boas intenções e uma grande mobilização das autoridades municipais com o apoio de alguns deputados em Porto Alegre e Brasília.

   Outra expectativa é a possível vinda de uma unidade da Votorantim para o Distrito. O que poderíamos considerar um “segundo milagre”, não só transformaria Santa Isabel em ponto estratégico, como traria um novo impulso para a região sul. E neste caso a propagada construção da ponte no Canal São Gonçalo seria prioridade. Portanto, os moradores de Santa Isabel convivem com estas duas expectativas: a água potável e a fábrica da Votorantim.

   A principal fonte de renda para quem reside na Vila, o pescado, tem se mostrado frustrante nos últimos anos. As constantes estiagens e a falta de consciência no sentido de preservação ambiental têm refletido, consideravelmente, na queda de produção do peixe na Lagoa Mirim. Este ano, por exemplo, a COPESI - Cooperativa dos Pescadores de Santa Isabel - firmou parceria com produtores rurais para a permissão de retirada de peixe de açudes particulares, forma encontrada para, pelo menos, garantir a entrega do produto à CONAB e atender ao Projeto que distribui peixe (entre outros alimentos) para famílias carentes no município. Para este trabalho contaram com o apoio da Prefeitura Municipal que forneceu transporte para os barcos e para os pescadores serem deslocados até as propriedades rurais. Os pescadores dispõem de financiamentos especiais do Governo Federal para investimentos em material, entre eles o PRONAFINHO e o PRONAF-C, recursos obtidos em grupos, onde cada pescador passa a ser devedor solidário. Do Governo do Estado podem ser disponibilizados recursos do Programa RS.

                                                                                                                                Foto: Eliana Lúcio
(Margem do Canal) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com
Paisagem da Margem do Canal e o prédio do Bailão Vento Sul

   A Vila de Santa Isabel até o início dos anos 80 utilizava-se de um motor para o fornecimento de luz. Depois disso, a CEEE estendeu até o Distrito a rede elétrica. No começo, evidentemente, foi uma grande evolução, mas o tempo não parou e, apesar de todos os problemas enfrentados, a comunidade continuou tocando a vida e o consumo de energia aumentou. Hoje, incrivelmente, as famílias convivem com mais um dilema que a é a fraca (e a falta) energia elétrica, fato que está preocupando a todos. Citam exemplos clássicos: “se ligar a máquina de gelo ninguém pode assistir TV”; “à noite, na hora em que os chuveiros são utilizados, também, o problema é sentido”; “a iluminação pública está sendo afetada com a constante queima de lâmpadas”, segundo as informações passadas pela sub-prefeitura, conseqüência da instabilidade da energia na Vila.

   Outra necessidade básica é a água. Está em fase de acabamento a construção de uma Estação de Tratamento na localidade da Lomba com objetivo de abastecer as residências com água potável. A parte relacionada à rede de distribuição (encanamento) já foi toda feita. O serviço é terceirizado pela empreiteira que venceu a licitação. A referida obra que permitirá a utilização de água tratada para a população - que deveria ser considerada como saúde pública - ao longo de muitas administrações foi utilizada como “fonte de votos”, com promessas que se arrastaram de Governo para Governo, agora, vive contagem regressiva pelos, moradores para a grande comemoração. Mais do que qualquer ato político, o evento de inauguração da obra deverá ser considerado pelas autoridades como um RESGATE DA CIDADANIA aos cidadãos de Santa Isabel. Enquanto isso, a prefeitura estuda a substituição do motor que é utilizado para a captação e água do São Gonçalo - água sem tratamento - porque o atual sistema está inoperante e não há pressão de água nas torneiras. Inclusive, foi realizado um trabalho de desentupimento de canos, mas não resolveu o problema.

(Imagem de Santa Isabel) Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com

Uma rica história

   Vamos conhecer agora um pouco da fantástica história do Distrito de Santa Isabel. A Vila poderia hoje, ser explorada por atividades turísticas, principalmente, levando-se em consideração sua, importância histórica. Na teoria, muitas são as tratativas para que sejam investidos recursos na recuperação de prédios antigos, como o da Igreja de Santa Isabel, no entanto, os projetos não saem do papel e o tempo vem se encarregando de apagar as marcas dos grandes feitos ocorridos às margens do São Gonçalo.

   Os primeiros viajantes que cruzaram o São Gonçalo - e nem mesmo ele tinha este nome - (isto por volta de 1790) não imaginariam que aquele passo, até a embocadura da Mirim, seria palco de concessões, invasões, batalhas e que no futuro, também, seria utilizado para levar riquezas e se tomaria ponto fundamental para a chegada de manufaturados às freguesias e vilas da região. Estes viajantes aventureiros em trânsito, legendários de várias revoluções, contrabandistas e colonizadores por doações de terras se estabeleceram na região e, na verdade, acabaram sendo, direta ou indiretamente, os protagonistas da fundação de Santa Isabel.

   Envolvida geograficamente dentro dos limites aos caminhos do sul, Santa Isabel não demorou muito, após as primeiras concessões de terras, a se tomar um fluxo estratégico de acesso ao desenvolvimento agro-pastoril; defesas e ataques nas revoluções que na Província se desenrolariam, desde a invasão espanhola aos constantes litígios da demarcação fronteiriça. Presente nas inquietantes ameaças castelhanas ou em pequenos movimentos de revolta dos escravos. Não existe em toda a extensão do São Gonçalo à margem esquerda, algum ponto que se chegue a seco, ao natural, como em Santa Isabel.

   Bem antes da criação da freguesia, com o processo de ocupação econômica legitimado, devido ao fraco avanço populacional no interior do Rio Grande de São Pedro, faz surgir a necessidade da criação de oratórios nas próprias fazendas - pela força da religiosidade e pratica dos sacramentos.

                                       Foto: Eliana Lúcio
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A pesca: atividade principal da vila

   A ocupação circunvizinha a Santa Isabel começou após 1790, com o primeiro oratório (o da Guarda do Arroio Grande), em 1800 criou-se o Oratório do Arroio Moreira. Os fazendeiros contratavam párocos para realização de missas, batizados e casamentos.

   Com o aldeamento formado, o crescimento veio em seguida. A era das charqueadas prosperava e Santa Isabel era o centro charqueador no São Gonçalo. Os pilares produtivos da futura Vila estavam alicerçados em dois pontos fundamentais: o charque e o escravismo. O negro foi peça produtiva nas charqueadas, lavouras, campeando o gado ou mesmo nas olarias e caieiras que ajudariam a formar mais tarde um belo quadro arquitetônico da Vila, levantada por iniciativa do Capitão José Coma Mirapalheta, em terrenos de sua propriedade, devidamente dividido e demarcado para a construção das casas. Nesta época, por volta de 1858, a população do 2° Distrito de Nossa Senhora da Graça de Arroio Grande - Santa Isabel- registrava 860 livres, 44 libertos e 1.144 escravos.

   Uma década antes, 1846, o distrito tinha um total de 463 indivíduos. Em 1882, o Dr. José Leandro de Godoy e Vasconcelos, presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, sancionou a Lei criada pela Assembléia Legislativa Provincial, elevando a categoria de Vila, a freguesia de Santa Isabel, das belas e centenárias figueiras. O seu importante porto, que ajudou a construir essa rica história, era parada obrigatória dos Vapores Mirim, Paratini e São Pedro, que cruzavam as Lagoas dos Patos e Mirim, tendo como itinerário Rio Grande, Pelotas, Jaguarão e Santa Vitória, a partir de 1855. Até os anos 60, do século passado, o porto de Santa Isabel era utilizado para transporte de arroz e lã. As pedras de calcário e clínquer (pedras de cimento) da Cia. Brasileira e Industria Matarazo, eram exportadas via fluvial por Santa Isabel. Hoje, os velhos rebocadores de bandeira panamenha viraram entulho no Estaleiro Só - em Porto Alegre - e no porto riograndino.

   Nos registros da história consta que D. Pedro II, quando da viagem a Jaguarão, teria visitado o recente povoado de Santa Isabel. Era o ciclo do charque que enriquecia a todos. D. Pedro era o visitante ilustre. Viu construções belíssimas decoradas com azulejos importados da pátria-mãe, Portugal, interna e externamente em parte das moradias da Vila.


   A histórica passagem de D. Pedro II por Santa Isabel, ocorrida quando a comitiva imperial vinha de Jaguarão para Pelotas, pelo canal de São Gonçalo, no ano de 1865, e relatada pelo Conde D’Eu, dá conta da grandiosidade do passado da Vila, que viria a se tornar município independente por 10 anos, de 1883 a 1893, com o nome de Santa Isabel dos Canudos. Quando da sua independência, Santa Isabel dos Canudos, possuía em sua área urbana, cerca de 1000 habitantes contra 1800 de Arroio Grande, perto de 110 habitações contra 220 deste, e tinha uma área superior em quase o dobro de Arroio Grande, 2.352 Km² contra 1.306 Km², isto em 1891. Em determinada época (entre 1891 e 1913), contou a Vila com uma população total de 2.123 habitantes, o máximo de moradores da região de Santa Isabel que viria novamente a ser rebaixada a categoria de distrito de Arroio Grande, onde dista 50 Km.


   A Igreja de Santa Isabel é um dos seus prédios históricos mais importantes, tendo sido construída no ano de 1861. Recentemente, a Lei 11.585 de 12/01/2001, de autoria do então Deputado Bernardo de Souza, e sancionada à época pelo Governador Olívio Dutra, declarou “integrantes do Patrimônio Cultural do Estado conjuntos urbanos e edificações..." Art. 1º; VI: "... da área histórica da Vila de Santa Isabel do Sul, sede o Distrito do Município de Arroio Grande...", com as suas delimitações. A Lei visa à preservação da história arquitetônica do lugar, que possui vias seculares como a Rua da Praia, Rua do Imperador, Rua Princesa Isabel, Rua Sócrates e muitas outras.

   Em 1994, numa parceria entre UFPel e o Ministério da Educação, foi realizado um amplo levantamento para avaliação das condições ambientais, paisagísticas e do patrimônio histórico-arquitetônico da localidade de Santa Isabel. Na justificativa do trabalho da UFPel, foi registrado que na percepção de seu patrimônio arquitetônico observa-se que sua época próspera deixou marcas num local que, atualmente, encontra-se em más condições de desenvolvimento econômico, cuja população habita um espaço urbano precário.

   Lamentavelmente, estes dados levantados há mais de 10 anos, só se agravaram, porque nada foi feito no sentido de investimento para o desenvolvimento do turismo e resgate da própria história deste Distrito. Muito se falou a respeito disso, mas nenhuma ação concreta realizada. A importância histórica e cultural de Santa Isabel foi esquecida, mas neste local, que é privilegiado, podendo ser a melhor rota para chegar ao porto de Rio Grande, Santa Vitória, Chuí, moram muitas pessoas: crianças, adultos e velhos, que merecem o respeito, e a solidariedade a que todos têm direito.
 

   E claro que numa reportagem resumida é impossível descrever tudo sobre o assunto em pauta, porém dá para se ter uma idéia da importância histórica e cultural de Santa Isabel. Mais uma fonte de renda que poderia ser explorada na região sul, esta metade do território Gaúcho que insistimos ser discriminada pelos Governos Estadual e Federal. Ou será que nós, enquanto cidadãos da Zona Sul, lideranças constituídas, a medida que só reclamos e não agimos, não somos os verdadeiros responsáveis por esta falta de investimento aqui constatada?

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                                                                                                                     Fonte: Jornal A Evolução

Mistério: lenda ou devoção  em Arroio Grande?

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   Durante as obras de recuperação da Igreja de Santa Isabel, distrito de Arroio Grande, foi encontrado algo que poderá se tornar de imenso significado não só para a história dessa localidade, mas de grande relevância para os arquivos da Igreja Católica. A igreja que foi construída em 1861, tem sua construção no estilo Clássico Colonial Português e está recebendo um tratamento especial da administração, pois é tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul, e por ser importante no contexto arquitetônico do município.

   Se aproximam as obras de conclusão do telhado, porém um fato curioso, rodeado de mistérios e momentaneamente sem muitas explicações, mas tendo consigo agregado uma grande lenda, estava sob o altar. Quando os operários começaram a retirada da madeira que não apresentava mais condições , em função de sua deterioração, encontraram uma urna, um baú de folha de Flanders, uma espécie de latão. Dentro desse baú de lata, estão os possíveis restos mortais de um padre, inclusive enrolado em uma espécie de pano, o que poderia ser sua batina. O fato será noticiado ao Bispo Dom Jaime Chemello, em relatório a ser apresentado pela paróquia de Arroio Grande. 

   A medida que a notícia percorreu as ruas da cidade, as pessoas emocionadas buscaram relatos na história da igreja de Santa Isabel, buscando a chave para esse enigma, que certamente pegou a população de surpresa, e principalmente por não se tratar de um fato que aconteça com determinada freqüência, e que envolve a fé e a crença, em todo o seu significado. 


   Na busca de entender o acontecido, as informações correm em caminhos paralelos. No primeiro, o pároco da comunidade, padre Olavo Gasperin, salientou que nos registros da igreja não existem anotações anteriores a 1924, mas esta foi a principal igreja desta região no final do século passado. Em Santa Isabel, famílias de Rio Grande e Pelotas tinham suas casas de veraneio, porém após uma grande enchente tudo mudou, a igreja ficou meio que abandonada, e como era rica em prataria e ouro, foi saqueada, onde possivelmente também foi extraviado seu acervo histórico. Tem-se o relato de que provavelmente os primeiros párocos da igreja foram José Marcio Damásio Mattos, em 1861, e Dom Sebastião Dias Larangeiras, em 1863, mas tudo indica que os restos mortais não pertençam a eles.


   Com relação ao achado histórico, ele explicou que naquela época os padres não costumavam morar nas comunidades, pois atendiam a várias paróquias, mas entende que possa existir essa possibilidade, analisando que ao ocorrer a morte do sacerdote, foi sepultado no cemitério da localidade, que devido as enchentes foi trocado de lugar, alguém até mesmo por entender tratar-se de um mártir, ou por seu trabalho ter um significado importante, recolheu seus restos mortais, colocou na urna e deixou sob o altar.

   Já a lenda popular diz que no começo do século o pároco da Igreja de Santa Isabel havia falecido vítima de apedrejamento, e os fiéis consternados com o bárbaro crime haviam o sepultado e posteriormente depositado seus restos mortais em baixo do altar, a lenda é tão forte naquela localidade, que ao iniciarem as obras de reforma a população comentava que seria encontrado os restos de um padre sepultado na igreja. Ninguém sabe sobre relatos que definitivamente desvendem o mistério, as causas da morte, porque os restos mortais estavam sob a igreja, ou até mesmo a quem eles pertençam.

Igreja revela ossada secular

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   Uma história cercada de mistério surgiu nos últimos dias em torno de uma paróquia que assistiu ao crescimento urbano em seus arredores. Obras realizadas na igreja recuperada fizeram emergir, da poeira e de ruínas, uma ossada humana carregada de folclore.

   Na Vila de Santa Isabel, localidade de Arroio Grande, não há água potável. Da caixa d'água, verte um líquido lodacento. No canal São Gonçalo, o peixe escasseia, e a balsa que ligava as duas margens faliu. Nenhuma linha de ônibus passa lá, o celular não pega e a sabedoria popular tem uma teoria: maldição.

   - Lá em Santa Isabel nada vinga porque mataram um padre a pedradas - conta a pescadora Roselein Termezana Dias, 51 anos, de Jaguarão.

   Obras de restauro realizadas na igreja da vila reacenderam o boato. Ao retirarem o altar do local, os pedreiros encontraram uma urna de latão - com ossos, um crucifixo e uma batina. Para a população, foi encontrado o padre que teria sido morto a pedradas, por motivos desconhecidos, há cerca de 160 anos. Inaugurada em 1861, a igreja teria recebido restos mortais do pároco depois de exumado o corpo.

   Há 22 anos a fiel Nair Creonice de Oliveira Colvara, 72 anos, cuida da igreja, desativada em 1999. Pelo sim, pelo não, ela desacredita a maldição, embora não descarte a hipótese de que os ossos do baú sejam do padre. Enquanto o folclore justifica o abandono, a urna continua lá, entre ripas de madeira e andaimes. Depois da obra, voltará ao lugar. Sob o altar.

As Obras de Recuperação

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   Depois de vários anos de espera em meio a muitas promessas e frustrações, parece estar mais próximo o sonho dos moradores da Vila de Santa Isabel de verem sua Igreja restaurada. O Executivo Municipal, através do Depto. de Engenharia da Secretaria de Planejamento e Urbanismo, preparou um relatório propondo diretrizes para a execução das obras de restauração. Este relatório, denominado "Projeto de Restauração da Igreja de Santa Isabel", foi elaborado com base num levantamento direto realizado no imóvel em novembro de 2005 onde foi feito um diagnóstico e foram propostas terapias para as intervenções no prédio construído em 1861 e que é símbolo de uma época próspera de nossa história.
 

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Água potável já é realidade em Santa Isabel

   Depois de anos tomando água crua de poços e de uma distribuição precária direto do canal São Gonçalo, a Companhia Riograndense de Saneamento - CORSAN concluiu as obras e  assumiu a distribuição de água em Santa Isabel, proporcionando que os moradores daquele distrito a partir de agora tenham água potável em suas residências.

   A estação de tratamento foi inaugurada dia 09 de junho, com a presença de autoridades, entre elas: o presidente da CORSAN Mario Freitas, o prefeito Municipal Jorge Cardoso, presidente da Câmara Luciano Peres. A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Santa Isabel, começa a abastecer todos os moradores da vila e deverá contemplar mais de 120 residências. Será vinculada a Unidade Pólo de Arroio Grande que, já começou a instalaçãonas residências.

   Uma equipe da CORSAN juntamente com uma equipe da prefeitura permanecem no local para efetuar as ligações.

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Prédio da Cooperativa de Pescadores
de Santa Isabel.


Um sonho realizado

   Finalmente será atendida uma antiga reivindicação dos moradores do Distrito de Santa Isabel. Após várias iniciativas da administração municipal, inclusive decretando Situação de Calamidade Pública, e recorrendo à esfera Federal em busca de recursos, dia 29/05/06 foi assinado no Gabinete do Governador Germano Rigotto, o convênio que possibilitará a conclusão da obra da rede de água potável, naquela localidade.

   O prefeito Jorge Luiz Cardozo quando recebeu o convite para estar no Palácio Piratini, para assinatura, afirmou ser esta uma conquista de todos, que se mobilizaram, e tal condição sensibilizou a todos os gaúchos, que acompanharam o drama dos moradores, pela imprensa local e através da RBS TV, que tomavam água sem as mínimas condições de consumo humano. Agora com a assinatura do convênio que permitirá a conclusão da obra, o sonho de terem água potável correndo nas torneiras se realizará, em tomo de mil pessoas há muitos anos esperavam por essa realização.

    "Agora, o posto de saúde poderá funcionar em sua plenitude, o gabinete odontológico, em breve irá atender as pessoas e crianças, a fábrica de filetagem de peixe abrirá suas portas, aumentando a renda dos pescadores e gerando emprego entre a comunidade", afirmou o prefeito.

   Diversas foram as mobilizações de professores, alunos, moradores, Executivo, Legislativo, enfim, o problema ultrapassou a barreira política, e constatou-se a união e a busca por um único objetivo, o resgate da dignidade.


   É verdade que ainda existem reclamações da população e muitos usam uma conhecida e antiga expressão, aliás, prática bastante usada ao longo da história do Distrito: “somos lembrados no período de eleição”. Porém, constatou-se uma distinção especial ao atual Governo do Município e uma expectativa ainda maior em relação ao futuro. As parcerias firmadas com o Estado e a União têm resultado em destinação de recursos para Santa Isabel o que é reconhecido pelas pessoas. Além disso, observa-se uma mudança cultural que pode ser decisiva e alavancar o desenvolvimento na localidade: a consciência do cooperativismo. A soma de forças e o trabalho organizado em grupo tornam-se, cada vez mais, fundamentais para o atendimento das necessidades.

   A fábrica de gelo é um exemplo claro de parceria que deu certo e entrará em funcionamento tão logo seja inaugurada a rede de água potável. Vale destacar investimentos do município como a colocação de um posto dos Correios na Vila, funcionando junto a nova sede da sub-prefeitura. Somam-se outros serviços básicos como o funcionamento diário do Posto de Saúde (que terá em anexo um Gabinete Odontológico completo, com a chegada da água tratada), uma ambulância 24 horas a disposição para emergências e a visita da Unidade Móvel da Saúde duas vezes por mês.

Continuam as negociações para a vinda da Votorantim

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   O município de Arroio Grande é forte candidato a sediar uma fábrica para produção de celulose na Metade Sul do Estado. No final do ano passado, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) anunciou no Palácio Piratini, inclusive, com a presença do Governador Germano Rigotto, que daria inicio ao processo de licenciamento sócio-ambiental para a implantação da fábrica, oportunidade em que aconteceu o lançamento do projeto Losango. Com investimentos previstos de US$ 1,3 bilhão, o projeto marca mais um passo na consolidação da atuação da empresa no Rio Grande do Sul.

   A opção da VPC pelo extremo sul se deu após análise da viabilidade de implantação do projeto em várias partes do mundo e do Brasil. A alta qualificação da mão de obra e a infra-estrutura oferecida pela região foi determinante para a escolha: toda a área é cortada por boas estradas e rodovias e está próxima ao Porto de Rio Grande, um dos maiores e mais modernos do país. Além disso, oferece clima, topografia e disponibilidade de terra e água adequadas para o plantio do eucalipto que irá suprir a produção.

   Em recente reunião realizada no município, diretores e técnicos da empresa explanaram sobre o projeto e os reflexos que o mesmo trará para a metade sul. Mais de 3,5 mil novas vagas entre empregos diretos e indiretos na fase do empreendimento. O auditório do Centro de Cultura estava lotado com uma platéia constituída por mais de 300 pessoas ligadas aos mais diversos segmentos, demonstrando o interesse da comunidade em obter maiores esclarecimentos sobre o projeto Losango, no qual está inserida a construção da unidade fabril na região. Os palestrantes foram bastante claros em suas colocações, apresentando demonstrativos reais dos benefícios que a fábrica trará, e conseqüentemente, sua considerável parcela de contribuição para a economia, nas mais diversas áreas, inclusive na geração de emprego e renda não só na empresa, mas também em hotéis, postos de gasolina, borracharias, auto-peças, mão-de-obra, serviço terceirizado, entre outros - cerca de 34 mil empregos na cadeia econômica da região. Os municípios de Pelotas, Rio Grande, Pedro Osório, Cerrito e Capão do Leão, além de Arroio Grande, querem a implantação da sonhada fábrica.

   Segundo especificações apresentadas nos relatórios, Arroio Grande reúne uma série de fatores favoráveis, por estar localizada entre diversos municípios onde a Votorantim, atualmente detém o cultivo de eucaliptos, tomando-se pólo de uma microrregião, uma estrada que desemboca no São Gonçalo, necessitando o asfaltamento da mesma, e a construção de uma ponte, para que o resultado final da produção alcance num menor trajeto e com maior segurança o Super Porto de Rio Grande, onde a produção será escoada, sendo que em tomo de 300 caminhões farão esse trabalho de carga e descarga de celulose e papel diariamente.

   Falando da grandiosidade desse empreendimento, o prefeito Jorge Luiz Cardozo, salientou que o local mais adequado para a instalação da fábrica, é nas proximidades de Santa Isabel, ainda mais que a Votorantim adquiriu recentemente 7 mil hectares naquela região. "Se instalada nesse lugar, a fábrica ficará numa média de 30 km de distância das unidades produtoras de eucaliptos nas demais cidades da região. O ponto estratégico seria em Arroio Grande, onde poderá inclusive, ser utilizada como transporte o meio fluvial. Arroio Grande tem demonstrado grande interesse pela unidade da Votorantim Celulose e Papel, mas com a idéia de somar com os demais municípios da região, porque a bem da verdade todos os municípios serão beneficiados. "Estamos plantando uma semente, está crescendo, e o resultado será a geração de empregos. Temos as mesmas leis de incentivos que outros municípios oferecem para que empresas se instalem em Arroio Grande, e estamos abertos a conversarmos e discutirmos projetos.

   O Gerente Geral do Projeto Losango, Carlos Monteiro, destacou que o objetivo destes encontros é levar ao conhecimento das comunidades os aspectos principais do empreendimento. Afirmou que, mesmo estando concorrendo mais cinco municípios, a viabilidade é muito grande de que a fábrica seja implantada no Arroio Grande. Questionado sobre o assunto, Monteiro, explicou que todas as etapas serão cumpridas rigorosamente e que até o final do ano o estudo esteja completo e definido o local da futura fábrica.

   Imaginemos a importância desta fábrica se confirmada a escolha de Arroio Grande para ser sua sede. Fala-se na possibilidade de ser implantada em Santa Isabel, o que resgataria a própria história daquele Distrito. Conforme as informações, o processo de implantação da fábrica se dará entre 2009 a 2011, gerando inúmeros empregos diretos e indiretos. E a produção estimada é de um milhão de toneladas de celulose por ano, destinadas aos mercados europeu, asiático e norte-americano.

   Um outro aspecto indispensável e que deve ser questionado relaciona-se ao meio ambiente. Para a VCP, a responsabilidade ambiental é uma questão de princípio. Na gestão de seus negócios assumiu o compromisso de contribuir para a preservação e recuperação do meio ambiente e, para tanto, cumpre todas as exigências legais e, muitas vezes, conforme declaração do Diretor Presidente José Luciano Duarte Penido, vai além. "Tão importante quanto as licenças produtivas e ambientais é a legitimidade social das nossas operações", afirma ele. A implantação de sua nova fábrica no Rio Grande do Sul, está passando por todas as etapas de licenciamentos ambientais, com a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e outros. Isto inclui a discussão das alternativas de locais para instalação da fábrica, levando em consideração os aspectos técnicos, econômicos e sócio-ambientais, bem como interfaces do empreendimento com políticas federais, estaduais e municipais.

Santa Isabel: Uma vila isolada no sul do Estado

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A Vila Santa Isabel, vista da estradinha de chão batido que dava
 acesso ao ancoradouro da balsa, hoje desativada.

   Contemplar a beleza do Canal São Gonçalo é um alívio aos visitantes, mas um tormento para os pescadores da Vila Santa Isabel, entre Rio Grande e Arroio Grande, no sul do Estado. Embora retirem das águas os peixes que sustentam as famílias, olhar para ele lembra que não há maneira de atravessá-lo sobre duas ou quatro rodas. Há quase três anos, a única balsa que ligava os dois pedaços da rodovia Pedro Osório-Rio Grande (RST-473) está desativada. Sem dinheiro para cumprir as exigências da Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul e reformar a embarcação, os proprietários decidiram aposentá-la.

   - Nossa vila ficou completamente isolada - lamenta o pedreiro Cledemar Costa, 42 anos.

   Com a balsa, viajar de Santa Isabel a Rio Grande, onde estão os compradores da produção de peixe dos 1,2 mil moradores da vila, somava 37 quilômetros. Agora, pela RST-473, passando pela BR-116, o trajeto aumenta para 120 quilômetros, sem contar duas praças de pedágio.

   - O vendedor de gelo ainda deixa a mercadoria do outro lado e buscamos de barco. O resto tem de ir até Pelotas para chegar a Rio Grande - lamenta o comerciante Antônio Carlos Soares Caldeira, 38 anos.

   O barco também é o único meio de transporte capaz de unir a dona de casa Loide Lemos dos Santos, 44 anos, à família. Há um ano, ela se mudou para o outro lado do São Gonçalo e vive com o marido em uma casa a poucos metros do canal.

   - Nasci e me criei em Santa Isabel e nem acredito mais que esta ponte vai ser feita - afirma Loide.

   Com o rompimento da ligação entre os dois pedaços da rodovia, a vila caiu no esquecimento. Não há mais linhas de ônibus. Celular, não pega. Água, só de poço. E a outra margem, logo ali, ao alcance dos olhos.

   Ao que parece, os moradores da Vila Santa Isabel precisarão de paciência para ver erguida uma ponte entre os dois lados do Canal São Gonçalo. O Corede Sul conseguiu aprovar, em 2004, na Consulta Popular, uma verba para a elaboração de um projeto. Mas, até agora, nem isso foi feito. A assessoria do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) diz que o processo para licitar o projeto está sendo encaminhado mas não informou quando a licitação poderá ser aberta.

   De acordo com o diretor regional da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do RS (Federasul), Juarez Molinari, a ponte custaria cerca de R$ 60 milhões e é fundamental para o desenvolvimento da região. "É um acesso estratégico ao porto de Rio Grande, em especial para escoar a produção da indústria madeireira que está se instalando no sul do Estado", explicou o dirigente da Federasul.

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:: Créditos desta Reportagem


- Jornal Zero Hora, edições de 10 e 16/02/2006
- Jornal Meridional
- Jornal A Evolução Regional
- Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Arroio Grande

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