|
::
Você pode ajudar... |
|
O Lar Gasparzinho abriga crianças em situação de
risco, e contra com a colaboração de toda a comunidade arroio-grandense.
Para saber como ajudar, no final desta reportagem estão colocados os
telefones de contato e as contas bancárias da instituição.
|

|
![[Lar Gasparzinho] Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com](especiais/tm_esp_largasparzinho_ana01.jpg)
Ana Carvalho e seus "filhos"
|
Um
exemplo de cidadania
Há onze
anos, o casal Ana e Gaspar Carvalho, dedicam a totalidade de seus dias
para a administração do Lar Gasparzinho, uma casa de abrigo e amparo a
crianças e adolescentes, que funciona na cidade de Arroio Grande:
interior do estado do Rio Grande do Sul. Embora sem oficialização
governamental, a instituição funciona como uma casa de passagem,
prestando importante trabalho voluntário junto à comunidade. Atualmente
mais de 25 crianças, carentes e abandonadas, habitam o lar. Assim que
chegam à casa, as crianças criam grande afinidade com os "irmãos" e o
casal.
São tantas crianças para despertar que o dia tem que
começar bem cedo. Os sofás da casa da dona de casa Ana não têm mais
espaço para acomodar tantos filhos. A casa grande, emprestada,
localizada na rua Dom Pedro II, passou a ser o lar de crianças e
adolescentes, encaminhadas principalmente pelo Conselho Tutelar e
Ministério Público, vindas de todas as partes e trazendo consigo as mais
variadas (e tristes) histórias de vida para encontrar no seio desta
mulher o aconchego de mãe. Uma grande família se formou e nestes anos
todos, foram muitas as idas e vindas do "Lar Gasparzinho", envolvendo
questões políticas, judiciais, sociais e de solidariedade.
Na luta pela sobrevivência, a instituição sente a falta
de um apoio financeiro do poder público, para manter a única instituição
que abriga os filhos de nossa terra. A alegação é sempre a mesma: é uma
entidade particular. Por outro lado existe a Associação dos Amigos do
Lar Gasparzinho que procura através de campanhas, junto à comunidade
arroio-grandense, amenizar a angústia dessa grande família. Algumas
vezes, são destinadas ao lar sextas básicas do poder judiciário, por
alguém que paga por delitos leves. Após a vinda da equipe da RBS TV, que
passou um dia inteiro no Lar Gasparzinho, para editar matéria veiculada
no Jornal Nacional da Rede Globo, Ana diz que passou a receber a ajuda
solidária vinda de cidades como Porto Alegre, São Leopoldo, São Paulo e
aguarda também doações vindas dos Estados Unidos.
|
|
A dureza da vida nunca desanimou a família. O pai corre
atrás das despesas fazendo pequenos consertos em eletrodomésticos. Mas
como o dinheiro é pouco, eles dependem da ajuda da comunidade. “Sempre
com dificuldade, mas sempre tem”, diz Ana, em trecho de entrevista ao
Jornal Nacional, “O olhinho deles, olhando sorrido, tudo isso vale a
pena. Todos que baterem na minha porta vão ter um lugarzinho”, afirma a
dona de casa. “Ela sabe dar amor para todos igual, sem diferença de
nenhum”, diz um dos filhos.
A educação e a socialização estão sempre em
primeiro plano, todas as crianças em idade escolar a freqüentam.
Dificilmente se vê criança chorando ou brigando, elas retribuem o amor
que é dado, colaborando com o funcionamento da casa. E tudo
funciona bem. Quando elas chegam já entram no ritmo da colaboração: se
Ana vai estender as camas vem um e pega na ponta, se está lavando louça,
alguém vem logo secar, os maiores reparam os pequenos. Pra ela as
crianças são sua família e portanto, merecem toda a atenção que possa
dar. Elas não a incomodam, se vai para o carnaval, as crianças não saem
de perto dela, nem as mocinhas, ficam na volta e não pedem nada; na
praia também nunca teve problemas, na água elas só vão quando ela deixa;
se vãos à pracinha, elas brincam sem sair de sua volta.
|
|
Em abril de 2004 um incêndio atingiu a casa onde o Lar Gasparzinho
começou, por sorte os danos foram apenas materiais, mas tiveram que
se mudar para uma casa emprestada, onde se encontram até hoje, pois não
possuem situação financeira que lhes permita consertar os estragos
causados pelo fogo. As crianças e adolescentes, querem voltar para sua
antiga casa, pois ali se criaram, mas ainda não há "sinais" de que a
mesma vá se recuperar. O acerto era que seria emprestada por dois meses,
prazo em que o poder público faria os concertos necessários. Mais um ano
depois, a casa continua em péssimo estado. Agora eles pagam aluguel, um
dinheiro que poderia estar sendo aplicado na saúde, alimentação e
educação das crianças.
Muitas famílias procuram a casa com a intenção de
adotar uma criança. Na maioria das vezes, querem "loura de olhos azuis",
linda e saudável. Querem escolher. "As crianças na casa são todas iguais
e não são mercadoria à disposição do freguês" diz Ana. Por deter a
guarda provisória das crianças, nenhuma pode ser adotada legalmente.
Arroio Grande tem quase 20 mil habitantes e nenhum orfanato. Por isso,
bebês ou crianças que apresentam dificuldades familiares são
encaminhados para a casa de Dona Ana, pelo próprio conselho tutelar da
cidade.
Há tempos atrás Ana Carvalho sequer imaginava viver
esta situação. Este processo foi acontecendo naturalmente, mas ela não
se arrependo nem um pouco. "Tenho certeza que poucas pessoas são felizes
como eu sou. Nada substitui o olhar da criança que chega à minha porta
pedindo, por favor, cuida de mim", comenta ela em entrevista ao jornal
local Meridional.
|
![[Lar Gasparzinho] Portal Terra de Mauá | www.arroiogrande.com](especiais/tm_esp_largasparzinho_ana02.jpg) |
|
Para
ajudar o Lar Gasparzinho, as contas bancárias são:
Banco do Brasil: Agência 0338-7 (Arroio
Grande)
Conta Corrente 6.894-2
Associação de Amigos do Lar Gasparzinho
Banrisul: Agência 0115 (Arroio Grande)
Conta Corrente 39.850011.0-9
Ana Carvalho
Telefone para contato: (53) 91173534 (Arroio
Grande) |
|
::
Créditos desta Reportagem |
|
O conteúdo deste artigo foi editado em julho de 2005, por André Soares Floor,
administrador do Portal Terra de Mauá, a partir de reportagens
realizadas pelo Jornal Meridional (Arroio Grande),
Jornal Nacional da Rede Globo e por informações prestadas pela
comunidade arroio-grandense.
|
|